Boeing avança sobre Embraer com US$ 4,2 bi

Gigante americana ficará com 80% da fabricação de aviões comerciais; em projeto militar, Embraer terá 51%

A fabricante brasileira de aviões Embraer fechou, ontem, acordo de parceria estratégica com a Boeing para aumentar a participação de ambas no mercado global. Segundo a Embraer, o negócio envolve a produção de aviões comerciais e serviços associados da empresa, área da qual 80% passará a ser controlada pela Boeing em uma nova joint venture. A americana desembolsou US$ 4,2 bilhões, valor cerca de 10% mais alto do que o cogitado em julho, quando foi feita a primeira arremetida dos americanos.

Além da fusão da área de aviação comercial, uma segunda empresa será lançada com o objetivo de promover e desenvolver novos mercados para o avião militar multimissão KC-390. Como esta negociação envolve eventual transferência de tecnologia militar, estratégica portanto, ficou acertado que a Embraer terá 51% do negócio e a Boeing, ficará com os 49% restantes. Assim, a empresa brasileira fica no controle deste projeto.

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Boeing avança sobre Embraer (Foto: Arte JB/Divulgação)

O acordo agora tem de ser aprovado pelo governo brasileiro antes de ser, de fato, assinado. Depois, ainda passará pelo crivo de acionistas e órgãos reguladores de ambos os países. Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a negociação seja concluída até o final de 2019. Com a chegada do fim do ano, é provável que a anuência caiba ao governo Jair Bolsonaro. O presidente eleito já se mostrou favorável à operação.

A Embraer informou que a expectativa é de que a parceria não impacte o lucro da Boeing até 2020, incrementando os valores nos anos seguintes. A ideia é que, em três anos, a joint venture movimente US$ 150 milhões antes de impostos. A nova empresa será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, mas o controle de gestão e das operações passará a responder diretamente ao presidente e CEO da Boeing, Dennis Muilenburg. Na prática, os americanos passam a ditar a maioria das decisões. Pontos ditos “estratégicos”, como a migração de operações do país, terão maior influência da parte brasileira.

“Esta aliança fortalecerá ambas as empresas no mercado global e está alinhada à nossa estratégia de crescimento sustentável de longo prazo”, disse o presidente e CEO da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, em clara referência ao contexto mundial do setor. Encampando a terceira maior fabricante de jatos do mundo, a Boeing cria uma empresa capaz de fazer frente à união das concorrentes Airbus e Bombardier, o que era impossível à Embraer sozinha. Agora a Boeing entra de vez no mercado de jatos regionais e dá prosseguimento à estratégia de “aquisições pontuais”, definida por Muilenburg.

Os dados financeiros da Embraer, 3ª fabricante de aviões do mundo mostram que a aviação comercial responde por R$ 10,7 bilhões, 57,7% do faturamento, enquanto a fatia da aviação executiva gera receitas de R$ 4,7 bilhões ou 25% do total. Mais do que isso, está no horizonte a perspectiva de expansão do setor que, segundo estudos da própria Boeing, representaria mais de US$ 6 trilhões em negócios até 2036.