Serviços avançam, mas varejo cai

Atividade terciária tem alta de 0,1% em outubro e recuo de 0,2% em 12 meses; volume de vendas recua 0,4%

O setor de serviços avançou 0,1% em outubro frente a setembro, informou o IBGE. Como este setor da economia representa 73% do PIB, o movimento tem impacto relevante. Já em relação a outubro de 2017, o crescimento foi de 1,5%. Nos últimos 12 meses houve recuo (-0,2%). Esta foi a 41ª taxa negativa seguida nessa linha de comparação, um resultado direto da crise.

No avanço dos serviços, o destaque é o grupo “Outros Serviços”, que se recuperou de uma queda de 3,9% em setembro e avançou 5,5% em outubro. Esta categoria envolve prestações diversas, diferentes das contempladas pelos grupos Serviços à Família (-1,0%); Administração (-1,9%); Transportes (-0,2%) e Informação e Comunicação — cujo crescimento de 0,5% também foi importante para o índice total.

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Serviços à família recuaram 1,0%, o que foi compensado pelo incremento da atividade hoteleira e dos serviços financeiros (Foto: Agência Brasil)

Com relação a outubro de 2017, o avanço de “outros serviços” foram influenciados pelos incrementos de receita vindos das empresas do ramo de hotéis e de serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada; primeiro setor; e administração de bolsas e mercados de balcão e atividades de administração de fundos.

O impacto negativo dos chamados serviços de admnistração” (Serviços profissionais, administrativos e complementares) em outubro e setembro (-2,9%) anulou o recente avanço de 2,7% registrado em agosto. Na comparação com outubro de 2017, este grupo foi pressionado, em grande medida, pela queda na receita das atividades de cobranças e informações cadastrais, transportes de valores, serviços de engenharia, assessoria e consultoria técnica em áreas profissionais e atividades de segurança privada.

Regionalmente, entre setembro e outubro, 11 das 27 unidades da federação apresentaram expansão, acompanhando a variação nacional de 0,1%. A estabilidade assinalada por São Paulo (0,0%) e Rio de Janeiro (0,0%) foram determinantes para a formação do modesto índice nacional, já que estes estados, juntos, somam cerca de 57% do total do volume de serviços. Entre os locais que tiveram taxas positivas, os destaques são Paraná (2,4%) e Rio Grande do Sul (1,7%). Já a Bahia foi a principal influência negativa, com recuo de 2,8%.

Outubro ruim para o varejo

Na contramão, o comércio varejista nacional recuou 0,4% naquele mês ante a setembro. Na comparação interanual, houve crescimento de 1,9% e, nos últimos 12 meses, 2,7%, corroborando a retomada da atividade econômica. O comércio varejista ampliado, que inclui venda de veículos, motos, peças e material de construção, variou -0,2% em relação a setembro, mas, em 12 meses, cresceu 5,7%.

Mesmo com o fim das eleições e aumento da confiança de empresários e consumidores, o setor varejista não decolou no fim do ano. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as vendas de Natal devem ter crescimento real de 3,1%. A previsão está abaixo do verificado em 2017, quando houve alta de 3,9%.