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Economia

Juros dos contratos de DI caem com dólar e exterior tranquilo

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Os juros futuros têm um início de sessão em queda nesta quarta-feira, 28, e demonstram uma correlação direta com o mercado de câmbio. Quando o dólar estava perto da mínima intraday, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) marcaram mínimas. Por volta das 9h45, quando o recuo da moeda americana perdeu força ante o real, os juros futuros marcaram máximas ainda em queda.

O mercado cambial doméstico é afetado nesta quarta pela realização de mais leilões de linha (US$ 1 bilhão) pelo Banco Central (BC). Na terça-feira, a autoridade vendeu US$ 2 bilhões em um leilão.

Além da influência do câmbio, o comportamento dos ativos no exterior colabora para o fechamento das taxas, segundo Paulo Petrassi, da Leme Investimentos. "Exterior está tranquilo, mas é preciso ficar de olho nos números americanos de PIB e inflação ao consumidor, PCE, às 11h30. Se vierem muito fortes podem reverter mercado", afirmou Petrassi.

Também colabora para a queda das taxas a retomada das negociações sobre a revisão do contrato de cessão onerosa. O senador Romero Jucá (MDB-RR) vai atuar pela apreciação do tema no Senado, após a discussão ter sido adiada da terça para esta quarta.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, discutiu com o presidente do TCU, Raimundo Carreiro, e outros ministros do Tribunal uma possível saída para viabilizar o acordo sem a aprovação do projeto pelo Senado.

Da agenda doméstica, um destaque foi o resultado do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de outubro. O indicador, que inclui preços da indústria extrativa e de transformação, registrou queda de 0,84% ante alta de 2,91% no mês anterior.

"O IPP foi baixo, mas acho que não faz preço, porque o mercado não olha muito. Mas é um indicador importante porque reforça o quadro de inflação baixa e sob controle", afirma o economista de uma grande instituição.

Como diz o analista, o dado corrobora a visão de muitos economistas de que o IPCA está em franca desaceleração. Segundo reportagem publicada na terça pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o IPCA pode voltar a surpreender em dezembro, assim como ocorreu com a inflação pelo IPCA-15 de novembro, quando a alta de 0,19% ficou aquém da maioria das estimativas e abaixo da mediana de 0,25%, calculada pelo Projeções Broadcast. Há chance de nova deflação - o que seria inédito para o mês - ou taxa perto de zero.

Ainda que não tenha sido diretamente citada por três profissionais de renda fixa ouvidos pelo Broadcast, a declaração de terça do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, é fator de preocupação. Eduardo afirmou a investidores e empresários estrangeiros, em Washington, de que o futuro governo "talvez não consiga" votos para aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

Na avaliação da vice-presidente da Moody's, Samar Maziad, a agência tem como cenário-base que o novo governo vai "tentar" aprovar, em 2019, a reforma da Previdência. "Quanto mais demorar para aprovar a reforma, mas deve gerar incertezas", afirmou ao Broadcast.

Às 10h05, o DI para janeiro de 2020 exibia 6,98%, máxima, ante 7,012% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2021 estava em 7,96%, máxima, ante 8,003% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2023 exibia 9,20% ante 9,24% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2027 exibia 10,05% ante 10,102% no ajuste de terça.