Sem mercado americano, câmbio tem baixa liquidez e alta moderada

Em dia de mercado americano fechado - em função do feriado de Ação de Graças -, o câmbio operou em baixa liquidez e com alta moderada do dólar frente ao real, fechando nesta quinta-feira, 22, cotado em R$ 3,8089, alta de 0,31%. Ainda que tenha trazido nomes importantes para a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro, o noticiário doméstico tampouco teve força para influenciar os ativos de forma significativa. Predomina, segundo operadores, cautela global com previsão de normalização do mercado apenas na segunda-feira, uma vez que nesta sexta-feira haverá pregão reduzido nos Estados Unidos.

Com o feriado americano, o dólar abriu o dia com pouco fôlego e caiu frente a moedas fortes durante a maior parte do pregão. Às 17h30, o índice DXY apontava queda de 0,25%. Ante emergentes, o movimento de cautela e a queda no barril de petróleo levaram o dólar a ter comportamento misto, mas moderado. A exceção foi a África do Sul, onde a moeda americana caía mais de 1% após decisão do banco central local de aumentar a taxa de juros de 6% para 6,75%.

Segundo operadores, o câmbio no Brasil acompanha de forma espelhada - reagindo de maneira contrária - ao movimento do petróleo, que caía próximo de 1,50% nos contratos para janeiro negociados na ICE e na Nymex.

Próximo das 14h30, o dólar chegou a renovar máximas frente ao real, chegando ao pico do dia aos R$ 3,8259 (+0,76%). Operadores ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, apontam a baixa liquidez como responsável pelos movimentos mais bruscos do dólar nesta quinta.

Acompanhando um movimento que tem ocorrido nos últimos dias, fundos estrangeiros continuam aumentando posição comprada no mercado futuro de câmbio. Eles acompanham uma aversão global ao risco com o aumento das preocupações sobre a desaceleração da economia global, com órgãos internacionais revendo as previsões de crescimento mundial para os próximos anos. O dólar para dezembro fechou cotado em R$ 3,8015, em alta de 0,08%.

"Desde a semana passada é possível perceber esse movimento de cautela do mercado em relação à possibilidade de retração global, o que também afetou o preço do barril de petróleo", aponta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes da Silva. Ele destaca ainda que o mercado doméstico começou a colocar de lado a euforia com o novo governo e ajustar preços. "Aos poucos o mercado vai voltando ao Brasil real, de déficit primário gigantesco, de dificuldades de negociação com o Congresso", completa.

Ele aponta que, apesar da indicação de novos nomes para o Banco do Brasil e a Caixa terem agradado ao mercado, a notícia foi contrabalanceada negativamente pela indicação de um racha no PSL, o crescimento do DEM dentro do governo Bolsonaro e por sinalizações da equipe econômica de Michel Temer de que discorda do desenho que Paulo Guedes tem proposto para a cessão onerosa, de forma a dividir os recursos com Estados e municípios.