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Economia

Roberto Campos Neto será indicado para comandar o Banco Central

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Roberto Campos Neto será indicado como o novo presidente do Banco Central. Ele substituirá Ilan Goldfajn, que não vai permanecer no comando da autoridade monetária no governo Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada pela assessoria do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Já Mansueto Almeida permanecerá como secretário do Tesouro Nacional.

"O economista Roberto Campos Neto aceitou o convite e terá seu nome indicado ao Senado Federal para presidir o Banco Central. Com extensa experiência na área financeira, pós-graduado em economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Campos Neto deixa diretoria do Banco Santander, onde ingressou em 2000", diz a nota. "O economista Mansueto Almeida será indicado para permanecer no cargo de Secretário do Tesouro Nacional, que ocupa desde abril de 2018", completa o informe emitido pela assessoria de Guedes.

>> Goldfajn permanecerá à frente do BC até Senado aprovar Campos Neto

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Banco Central do Brasil (Foto: Agência Brasil)

O economista Roberto Campos Neto é neto do liberal Roberto Campos, executivo do Banco Santander e próximo ao futuro ministro da Economia. Ele se reuniu na última terça-feira, 13, com Paulo Guedes, no centro de transição. Campos Neto deixou o local sem falar com a imprensa. 

Perfil

Formado em Economia, com especialização em Finanças pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Campos Neto tem 49 anos.

Entre 1996 e 1999, ele trabalhou no Banco Bozano Simonsen, onde ocupou os cargos de operador de Derivativos de Juros e Câmbio, operador de Dívida Externa, operador da área de Bolsa de Valores e executivo da Área de Renda Fixa Internacional. De 2000 a 2003, trabalhou como chefe da área de Renda Fixa Internacional no Santander Brasil.

Em 2004, ocupou a posição de Gerente de Carteiras na Claritas. Ingressou no Santander Brasil em 2005 como operador e, em 2006, foi chefe do setor de Trading. Em 2010, passou a ser responsável pela área de Proprietária de Tesouraria e Formador de Mercado Regional e Internacional.

Para assumir o cargo de presidente do Banco Central, Campos Neto precisa ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e ter seu nome aprovado. O plenário da Casa também precisa referendar a indicação. O cargo de presidente do Banco Central tem status de ministro.

O avô do futuro presidente do BC, o economista Roberto Campos, comandou o Ministério do Planejamento no governo Castelo Branco, de 1964 a 1967. Nesse período, ele foi um dos idealizadores e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de agosto de 1958 a julho de 1959.

Mercado não deve reagir mal à saída de Ilan Goldfajn

O mercado financeiro não deve reagir de forma negativa à decisão do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, de deixar o cargo no governo de Jair Bolsonaro, estima o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Na sua avaliação, a política monetária nacional está sob controle, com as expectativas de inflação devidamente ancoradas, o que garante previsibilidade aos agentes econômicos.

Além disso, a tendência é que o próximo presidente do BC mantenha um perfil técnico, não político, conforme já sinalizou Paulo Guedes, futuro ministro da Economia.

"Por mais que o Ilan Goldfajn não tenha aceitado permanecer no cargo e isso, eventualmente, cause alguma reação negativa pontual, a essência é que está tudo sob controle na política monetária", avalia Agostini.

(Com Estadão conteúdo e Agência Brasil)