Dólar volta a cair com ajuda do exterior e termina em R$ 3,7837

Em novo dia com bom volume de negócios, o dólar teve uma sessão de correção nesta quarta-feira (14), após encostar na última terça-feira (13)no maior valor em mais de um mês e registrou a maior queda perante o real em uma lista de 24 divisas de emergentes e exportadores de commodities. O câmbio foi influenciado nesta quarta principalmente pelo mercado externo, com a moeda americana caindo perante países como México, Rússia e África do Sul. O petróleo voltou a subir e colocou fim a uma sequencia de 12 quedas consecutivas dos preços do barril no mercado futuro, trazendo alívio aos mercados internacionais de moedas. O dólar à vista encerrou em queda de 1,13%, a R$ 3,7837.

O dólar abriu em queda e seguiu assim por todo o dia. Operadores relatam que a moeda acima dos R$ 3,80 logo na abertura desencadeou ordens de venda por tesourarias e exportadores e ainda desmontes de algumas posições compradas no mercado futuro. Esse movimento levou a moeda a bater a mínima do dia, a R$ 3,76. Além disso, a antecipação de operações no mercado por conta dos feriados aqui que começam nesta quinta-feira (15) foi um dos fatores que contribuíram para o elevado volume de negócios. No mercado futuro, o giro somou US$ 24,8 bilhões. No segmento à vista, ficou em US$ 1,4 bilhão.

No mercado doméstico, as mesas de câmbio seguiram monitorando a transição de governo, mas, na falta de maiores novidades, não houve impacto nos preços. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) esteve em Brasília nesta quarta-feira. Ele se reuniu com governadores eleitos e com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em entrevista, ele disse que não pretende interferir na eleição para o comando da casa e afirmou que estão surgindo outros "bons nomes". Já o DEM vai condicionar a adesão ao governo de Bolsonaro ao apoio do Palácio do Planalto à recondução de Maia à presidência da Câmara ou ao menos à neutralidade da equipe do PSL nessa disputa.

A consultoria MCM avalia nesta quarta-feira (14) que "há indícios de que Bolsonaro começa a estabelecer algum nível de interlocução com o Congresso". Neste momento, os analistas da casa não veem motivos para qualquer revisão de expectativas e ressaltam que, "por ora, tudo caminha aproximadamente como esperado".

Para a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, o dólar deve ficar no patamar entre R$ 3,70 a R$ 3,85 até o final do ano. Ela acredita que a moeda pode até cair abaixo de R$ 3,70, mas o movimento tende a não se sustentar. "Ainda há grande imprevisibilidade sobre como será o governo no ano que vem", disse ela, ressaltando que uma coisa é a promessa de reformas e outra é como executar essa agenda.