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Economia

Trem torna soja competitiva

Grandes fazendeiros do MT e tradings investem em ferrovia para baixar custos de transporte

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Apontado como o maior produtor de soja do mundo, o empresário Eraí Maggi está agora empenhado em novo projeto: unir os produtores de seu estado para constituir um fundo, com contribuições medidas em sacas de soja e milho, para construir a Ferrogrão. A ferrovia de 1.900 km ligará Sinop, no norte do Mato Grosso, até o porto de Miritituba (PA), no rio Tapajós. A obra está orçada em R$ 12,7 bilhões. “Torna-se troco, perto dos benefícios que vai trazer ao produtor”, afirmou.

O projeto da Ferrogrão surgiu há cinco anos. A ideia partiu das grandes tradings: Amaggi, ADM, Bunge, Cargill, Dreyfus, e a estruturadora Estação da Luz Participações (EDLP). A razão parece óbvia: usar os portos do Norte do país para levar a soja brasileira até mercados como China, Rússia e Europa. Elas já construíram estruturas exportadoras em Miritituba (PA), de onde a carga segue por rio até Belém.

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Ferrovia de 1.900 kms pode reduzir 63% custo de transporte e tornar soja mais competitiva (Foto: Divulgação)

Nos últimos anos, as gigantes hesitaram em aportar os recursos necessários para construir a linha, que promete baixar em 63% o custo de transporte da soja de R$ 300 por tonelada para R$ 110 e encurtar em quatro dias a viagem dos grãos. O imenso capital dessas companhias é medido em safras, e não no longo prazo, como nos projetos de infraestrutura. Cansados de esperar, os produtores decidiram pôr 25% a 50% para a construção da linha. Há duas semanas, uma assembleia da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso aprovou por unanimidade a proposta de se criar um fundo para custear o investimento. “Tem como arrecadar R$ 600 milhões por ano tranquilamente”, assegurou o presidente da asso por unanimidade a criação de um fundo para custear o investimento. “Tem como arrecadar R$ 600 milhões por ano tranquilamente”, assegurou o presidente da associação, Antônio Galvan. Ele enumera os ganhos dos agricultores: valorização da terra, menor custo de transporte e lucros com a operação da ferrovia, já que todos serão sócios.

“É bom demais, sô!”, resumiu Eraí. “O produtor vai colocar 1 para tirar 10.” Mais ambicioso, ele acredita que a arrecadação poderá atingir R$ 1 bilhão ao ano. “Vai ser como tirar doce de boca de criança”, brincou. Os preços mínimos para o frete de caminhões levaram os produtores a pensar seriamente no empreendimento. O fundo foi formatado pelo presidente da EDLP, Guilherme Quintella, em trabalho que Eraí classificou como “genial”. “Pode dar certo”, concordou o secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Tarcísio Freitas. 

O desafio que vem do Leste

A Ferrogrão será uma concessão do governo federal a ser leiloada em 2019. O lance mínimo para um contrato de 65 anos será fixado em R$ 1,00. Pelos trâmites burocráticos, o leilão será no novo governo e sua conclusão levará cinco anos. Eraí Maggi vê a Ferrogrão como estratégica para manter a competitividade do agronegócio brasileiro. “Não adianta a gente pensar que só nós somos bonitos. Os chineses estão arrendando terras na Rússia para plantar milho.”

A melhoria genética de sementes tem possibilitado o surgimento de outras áreas de produção de grãos no mundo que põem em risco a liderança brasileira no médio prazo. Tarcisio Freitas observa que a venda de tratores fabricados no Brasil para o Leste europeu é maior do que para a América Latina. A região se tornou uma nova fronteira de produção de soja, bem próxima dos grandes consumidores. Com um corte drástico no custo de transporte, o produto nacional terá melhores condições de se manter no páreo. “É a nossa saída”, diz Eraí.

O Centro-Oeste produz 100,5 milhões de toneladas de soja, milho, algodão, ou seja, 44,4% da produção nacional, além de carne, e Mato Grosso concentra 26,5% da produção do país.



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