Renato Aragão é o grande homenageado na noite de abertura do Cine Ceará

Evento exibiu ‘O barco’, longa de Petrus Cariry

FORTALEZA - A abertura do Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema aconteceu na noite de sábado no Cineteatro São Luiz, no Centro de Fortaleza. Como todo ano, personalidades são reverenciadas antes da exibição do filme de abertura, que este ano ficou a cargo de “O barco”, de Petrus Cariry. Uma delas foi o reitor Henry Campos, reitor da Universidade Federal do Ceará.

Precedido por um vídeo produzido pelo Canal Brasil com uma entrevista e rápida retrospectiva em imagens, Renato Aragão foi o grande homenageado da noite. O público, de pé, aplaudiu muito o comediante, que  recebeu o troféu Eusélio Oliveira e uma placa comemorativa dos 60 anos do São Luiz. 

Fábio Porchat entregou os prêmios: “Renato influenciou não só os comediantes, mas a todos nós. É muito importante um festival homenagear um humorista em tempos de tantas brigas”, ressaltou Porchat. Emocionado, o eterno Didi disse que o tributo a ele era muito significativa por ser na sua terra. “Eu assisti ‘Anastacia’, o filme que inaugurou esta sala! Eu sempre quis fazer cinema e, quando decidi ir para o Rio, pensava: ‘Chego lá, faço um filme, fico feliz e volto’. Vou para o 51º filme... Como vou retribuir tudo isso?”, disse, emocionado.

Depois da homenagem, o diretor Petrus Cariry subiu ao palco ao lado dos atores Nanego Lira e Verônica Cavalcanti para apresentar sua obra, “O barco”. Ontem, ele conversou sobre seu quarto longa-metragem, todo filmado na Praia das Fontes, em Beberibe, a 80 quilômetros de Fortaleza. “Parti de um conto de três páginas chamado ‘O barco’, do livro ‘Ofos’, do escritor cearense Carlos Emílio. Mas achei, a princípio, que aquilo era impossível de se filmar. Passei o argumento para meu pai (o cineasta Rosemberg Cariry), que fez a primeira versão do roteiro. Depois, eu e Firmino Holanda editamos”, conta o cineasta.

O filme mostra uma família numerosa, de 26 filhos, onde a mãe os nomeou apenas com as letras do alfabeto. Morando num casebre à beira de um mar bravio, os filhos pescam com rede diariamente para se alimentar, enquanto a mãe tem visões e o pai não fala mais. Um barco encalha misteriosamente na areia e, logo em seguida, surge uma mulher do mar, que encanta os pescadores com suas histórias. “Ana e Esmerina, personagens de Samya de Lavor e Veronica Cavalcanti, respectivamente, são dois pilares. A primeira, que seduz os homens mais com as palavras do que com o próprio corpo. A segunda, que quer lutar para que a família fique ali, unida a qualquer custo. São personagens femininos muito fortes, como também trabalhei nos meus filmes anteriores, ‘O grãos’, ‘Mãe e filha’ e ‘Clarisse’”, explica.

Petrus, aliás, faz questão de deixar claro que o filme é uma fábula. “Na verdade, eu queria ter feito algo mais radical, sem diálogos, mas sei que seria de difícil compreensão. Mas, ainda assim, o diretor, que também assina fotografia e montagem, diz que pode trabalhar com extremos, tipo sons excessivos e fotografia natural. “Há realmente sons metálicos, que se tornam até opressores quando quero, por exemplo, mostrar um mar ameaçador”, diz.

Já a fotografia, apesar de confessar que levou um grande equipamento e acabou não usando - “A Barbara (Cariry, produtora executiva) ficava me perguntando toda hora ‘E o equipamento, quando vai usar?’, brinca - acabou sendo toda de luz natural. “Foi um desafio, porque aquele lugar tem cores fortes, diferentes e as falésias, que mais parecem cidadelas. Optei pela luz natural usando um ou dois lampiões e, à noite, com o diafragma totalmente aberto, aproveitei a luz da lua”, conta Petrus.

Com um documentário já finalizado – “A jangada de Wells”, sobre a passagem de Orson Welles pelo Ceará – , Petrus diz que “O barco” deve ser lançado em circuito no primeiro semestre do ano que vem. Mas, antes disso, ele começa a filmar outra ficção chamada “Mais pesado que o céu”. “É um roadmovie com protagonistas femininas!”, avisa.