Editora Intrínseca festeja 15 anos

Jorge Oakim tinha 28 anos e uma breve carreira no mercado financeiro, como analista de empresa, quando se preparava para fazer um MBA no exterior. No meio disso, havia um interesse dele em acompanhar o mercado editorial e uma vontade de abrir uma editora de não ficção. 

Oakim desistiu do MBA, foi para a Feira de Frankfurt e comprou os direitos de um livro que estava começando a fazer barulho na França. E foi com “Hell - Paris 75016”, de Lolita Pille, sobre uma geração de patricinhas parisienses, que a Intrínseca estreou em dezembro de 2003 e viu seu nome estampado nas listas de mais vendidos - fato corriqueiro nesses 15 anos da editora que ocupa hoje o terceiro lugar em volume de venda no ranking das editoras brasileiras - atrás do Grupo Companhia das Letras, a segunda, e da Sextante, a líder. A Sextante, aliás, é sócia da Intrínseca. Hell vendeu 20 mil cópias ao longo da história. Quase nada perto dos sucessos que viriam depois. “Cinquenta tons de cinza”, de E L James, o maior best-seller da casa e o livro que abriu caminho para uma onda de romances soft porn, que  vendeu nada menos que 3 milhões de exemplares desde 2012. Era o primeiro de uma trilogia que se desdobrou em outra série erótica. Somando tudo, E L James fica, também, com o posto de autora mais vendida da Intrínseca, com 7 milhões de exemplares comercializados.

Uma das coisas que Oakim aprendeu nesses 15 anos é que “o preconceito mata o editor”. Foi sua olheira que falou para ele prestar atenção nessa história - “que ela não leria porque não era seu estilo, mas que tinha potencial”. Houve um leilão acirrado no Brasil. “Tivemos a oportunidade de fazer uma ‘best offer’ e ela foi muito mais alta que a oferta antiga. Uma coisa totalmente fora do padrão”, conta. Ele pagou US$ 750 mil. “Todo o investimento foi pago em 15 dias de livro nas livrarias”, diz.

Houve outros sucessos antes desse, muitos. “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, foi um divisor de águas. “Crepúsculo” também foi um tiro certeiro. Stephenie Meyer, a autora, é a segunda mais vendida da Intrínseca, com 6,6 milhões de exemplares no total. E quem imaginaria que uma história protagonizada por adolescentes com câncer transformaria “A culpa é das estrelas”, de John Green, no fenômeno que foi? O livro vendeu 1,88 milhão de cópias aqui e é o segundo best-seller da casa.

“Eu quis fazer uma editora legal, que publicasse livros diferentes e que falasse com um grande público, mas jamais imaginei que a gente chegaria aonde chegou”, conta o editor que comemora um crescimento de 25% em relação a 2017, coisa rara hoje neste mercado em crise.