Heloísa Périssé, que atua e assina o texto de duas peças, diz que está na idade ‘do agora’

“Queria ser atriz desde que nasci”. A convicção, digamos, precoce que guiou profissionalmente Heloísa Périssé não poderia ser mais acertada. A atriz, dona de uma longa trajetória no teatro, no cinema e na TV, acaba de estrear, simultaneamente, duas peças no Teatro dos Quatro, na Gávea. Em “Loloucas” e “Lololendi” ? nomes que fazem alusão ao seu apelido Lolô ?, Heloísa atua e assina os textos. A primeira é uma comédia ao lado de Maria Clara Gueiros, dirigida por Otávio Muller, e a segunda, um musical infantil idealizado em parceria com o diretor Paulo Dimantas, enteado da atriz. Os dois trabalhos nasceram de um momento emblemático, quando Heloísa completou 50 anos. “Quando temos 20 anos, a gente não acredita, mas o tempo passa! Eu decidi que, nessa fase da vida, eu não ficaria deprimida. Bem ao contrário, enfrentaria como a ‘idade do agora’. Não tenho mais medo de perdas”, afirma Heloísa. 

Depois de ficar cinco anos em cartaz com o monólogo “E foram quase felizes para sempre”, Heloísa pensou em escrever um outro monólogo mas acabou que a personagem Ieda “pulou” do papel”. “Aí pensei: quem é ela? Só poderia ser a Clarinha, minha amiga de tantos anos!. Meu marido (Mauro Farias) seria o diretor, mas como ele  fica muito envolvido com o ‘Zorra total’, acabei  chamando Otávio, com quem já fiz tantos projetos”, explica.  No espetáculo, Heloísa e Maria Clara são velhinhas de um grupo de van,  frequentadoras de teatro, que chegam atrasadas a uma peça. O espetáculo infantil surgiu de reuniões em família,  onde Heloísa e Paulo ? pai de Pietra, que não a chama de avó e sim de Lolô ? andavam pensando em fazer algo juntos. “Um dia ele perguntou: ‘Quando vamos nos encontrar em Lololendi?’. Pronto, ali nasceram o nome e a ideia da peça, que fi z pensando em Antonia e seus amigos”, referindo-se à filha mais nova, de 11 anos (ela também é mãe de Luísa, de 18 anos). “Já fiz muitas peças para crianças nos anos 1990, adoro o público infantil! Mas sempre quis fazer uma personagem que misturasse Mary Poppins, Noviça Rebelde e Nanny McPhee”, afirma, ao definir  sua personagem,  uma cuidadora de crianças que resgata brincadeiras da sua época. 

Heloísa tem planos de transformar a peça em virar websérie, seriado para TV e filme. A peça tem trilha sonora de Max Viana, que fez a melodia, enquanto Heloísa escreveu as letras. “Eu já tinha feito as letras do CD da Tati (sua famosa personagem adolescente). Fizemos logo dez para ‘Lololendi’ e depois as de ‘Loloucas’”, conta. Além dos atores mirins, Vitor Th iré, que é filho de Luísa, neto de Cecil e bisneto de Tônia Carrero, também está no elenco. “Eu substituí a Luísa numa peça quando ela estava grávida dele e, veja só, agora estou em cena com ele!”, gargalha. Heloísa diz ter consciência do privilégio de estar em cartaz com duas  peças em meio a um momento de tanta crise no meio cultural: 

“Passei muito perrengue quando decidi sair da Bahia e vir para o Rio, morei até na mala do carro. Não me arrependo de nada, sempre fui muito ‘Caxias’ e nunca vendi meus sonhos. Se eu tivesse um arquétipo para seguir, seria o de Joana D´Arc, mas sempre tocando o zaralho!”. A atriz conta que, em breve, quer fazer trabalhos sociais e produzir espetáculos em sua HP Produções Culturais. “Estou escrevendo o roteiro de um longa chamado ‘In  vino veritas’ e em outubro participo das filmagens do próximo longa de Julio Bressane”, antecipa. 

Serviço 

LOLOUCAS - Texto de Heloísa Périssé. 

Direção de Otávio Muller. 

Com Heloísa e Maria Clara Gueiros. Sex. e sáb., às 21h e dom., às 20h. R$ 90. Até 30/9. 

LOLOLENDI - Idealização e concepção de Heloísa Périssé e Paulo Dimantas. 

Texto de Heloísa e direção de Paulo. 

Com Heloísa, Vitor Thiré, Bernardo Liaño, Giovana Galdino e outros. Sáb. e dom., às 17h. R$ 40. Até 30/9. Teatro dos Quatro/Shopping da Gávea (R. Marquês de S. Vicente, 52/Lj 265 - Gávea; Tel.: 2239-1095)