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'Mulheres arriscadas': confira crítica do B para o filme 'Mulheres alteradas'

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Há de se parabenizar a coragem da produtora Andrea Barata Ribeiro para, em tempos de empoderamento feminino, entregar a adaptação dos feministas quadrinhos da argentina Maitena a Luís Pinheiro. Com a experiência da série “Lili, a ex”, Luís consegue a difícil tarefa de transpor um universo de HQ para as telas com alguma fidelidade e um pouco da verve típica do veículo. Mas, na ânsia de ousar na linguagem dos quadrinhos e ao mesmo tempo ter uma verve naturalista, o filme fica numa incômoda coluna do meio.

Keka, Marinati, Leandra e Sônia são as mulheres do título, à beira de um ataque de nervos por inúmeros motivos. Um dos acertos da trama é não centrar esses problemas em questões amorosas, observando a vida profissional, as inseguranças pessoais e a vontade de avançar independente dos homens. Outro acerto do roteiro (também assinado por um homem) é aprofundar as quatro personalidades, e não estereotipar a workaholic, a baladeira, a dona de casa ou a romântica; todas têm camadas que as colocam além de uma mera definição.

Para isso, o talentoso quarteto contou com a entrega de Deborah Secco, a intensidade de Maria Casadevall, a insuspeita delicadeza de Mônica Iozzi e, um capítulo a parte, Alessandra Negrini. A intérprete preferida de Julio Bressane na atualidade captou a perfeição o que o filme derrapa pra conseguir, o exato equilíbrio entre o cartoon e a mulher real, na melhor interpretação do filme. A direção de arte e os competentes efeitos especiais deixam o clima ainda mais indeciso, em um longa indeciso porém arriscado, numa seara do cinema brasileiro onde o risco é eliminado. 

*Membro da ACCRJ

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MULHERES ALTERADAS: ** (Regular)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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