Karen Shakhnazarov ganha retrospectiva  na TV Brasil

Embora sua obra calcada em cartilhas de gênero (o mistério e o thriller político, sobretudo) dê pouca bola para a fantasia, o cineasta russo Karen Georgievich Shakhnazarov encontrou no último Fantasporto, o Festival de Cinema Fantástico do Porto, em Portugal, a vitrine ideal para reabrir um diálogo entre sua filmografia autoral e o planisfério cinéfilo: lá foi exibido o mais recente trabalho dele, “Anna Karenina: a história de Vronsky”. 

Derivado da prosa de Tolstói, mas autônomo em relação a ela, este drama de época está em cartaz hoje em solo nacional, que, de carona no revisionismo global da estética de Shakhnazarov, embarca, a partir de terça-feira, numa maratona pelo legado dele, via TV Brasil. À 0h15 (na virada de segunda para terça), a emissora educativa inicia uma retrospectiva de seus filmes, seguidos de comentários críticos do diretor gravados em sua recente passagem pela América do Sul. A exibição começa com “Tigre branco”, uma visita dele à II Guerra Mundial, em tom de suspense, lançada no Festival de Montreal de 2012. 

Constam do pacote traz ainda “Cidade dos ventos” (2007), na quarta; “Sonhos” (1993), na quinta; “A filha americana” (1990), na sexta; e “Noite de inverno em Gagra” (1985), no dia 25/6. Apresentado para o mundo, fora das fronteiras eslavas, na disputa pela Palma de Ouro e Cannes de 1991, com “Assassinato do Tzar”, com Malcolm McDowell, o cineasta começou a filmar em 1975, sob o jugo soviético, mas só ganhou status de autor e emplacou sucessos de bilheteria quando a URSS ruiu. Talvez por isso, histórias sobre afetos e sonhos em ruínas sejam a tônica de seu repertório nas telas.

De quebra, além dos longas de Shakhnazarov, a faixa de russos da TV Brasil reúne longas-metragens produzidos na antiga União Soviética, como os inéditos “Vá e veja” (1985), filme de guerra com direção de Elem Klimov, “O retorno de Vassily Bortnikov” (1952), drama histórico de Vsevolod Pudovkin, a comédia musical “Primavera” (1947), de Griori Aleksandrov, e o drama épico “Aleksandr Nevsky” (1938), de Serguei Eisenstein. 

*Roteirista e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro