Mostra do CCBB reúne filmes que raramente entram no circuito comercial

Pouco conhecidos no Brasil, onde raramente têm lançamentos significativos no circuito comercial, os filmes suíços acabam exibidos apenas em mostras e festivais, como é o caso do 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo, que acontece de amanhã ao próximo dia 18 no Centro Cultural do Banco do Brasil.

O público poderá assistir a 14 longas e oito curtas nesta seleção vinda de participantes dos dois festivais mais importantes daquele país, Journées de Soleure e Visions du Réel. “Procuramos contemplar todos os gêneros e regiões linguísticas da Suíça (alemã, francesa e italiana), apresentando uma amostra dos filmes mais recentes e de cineastas jovens ao lado de nomes consagrados”, diz Célia Gambini, que faz a curadoria do evento ao lado de Talita Rebizzi.

Na 53ª edição, em janeiro, o festival de Soleure selecionou 159 filmes, número que comprova, segundo Célia, uma produção bastante significativa. “As coproduções também são de grande importância para o cinema suíço, não apenas por facilitar a distribuição para países europeus, por exemplo, mas também porque muitos filmes exploram diferentes territórios. O país também participa como coprodutor minoritário em muitas produções internacionais”, explica, lamentando que, no Brasil, os filmes da Suíça só tenham destaque em festivais internacionais.

Dentre os títulos selecionados para o Panorama, está o premiado “Sobre ovelhas e homens”, de Karim Sayad, que será exibido amanhã, às 19h, com a presença do diretor de 33 anos, que participa de um debate após a sessão. “’Karim tem uma liberdade para empunhar a câmera e encontrar uma escrita própria para suas narrativas cinematográficas ousadas, pouco usuais e fortemente pessoais. Seu filme toca em vários pontos importantes. É um documentário que, por se passar longe da Suíça, mostra como a questão do deslocamento, da diversidade e do olhar para o outro e para o mundo – temas, aliás, que priorizamos nessa edição do Panorama”, diz Célia.

Ela destaca ainda que o diretor, filho de pai argelino e mãe suíça, representa uma jovem geração marcada pela formação acadêmica: “As escolas de cinema na Suíça têm um papel muito importante na formação dos seus realizadores. Vale mencionar que Karim também vem de uma parcela de cineastas de chegou ao país por diferentes razões, mas que mantém fortes laços com sua origem e dá voz a muitos territórios que, de outra forma, talvez ficassem esquecidos”.

Entre os documentários, o evento apresenta também “Hafis & Mara”, sobre um casal inusitado que faz um balanço de suas vidas diante das câmeras, abordando questões profundas das relações humanas. “Não tenho idade (para te amar)”, por sua vez, aborda a imigração italiana naquele país. Já “Eu sou a gentrificação” é um relato pessoal e impactante sobre as mudanças na ocupação urbana na Suíça, São Paulo, Cidade do México e Tibilisi, na Georgia.

“Diário da minha cabeça” é um dos destaques entre os longas de ficção. “É o mais recente filme de Ursula Meier, cineasta que tem sido aclamada internacionalmente em festivais como o de Berlim e de Cannes. É o retrato de um jovem parricida e suas motivações ao crime, com Fanny Ardant e o talentoso ator Kacey Mottet Klein”, detalha Célia. 

“Golias”, de Dominik Locher, é outro título ficcional mencionado pela curadora: “Fala sobre um jovem casal e os desafios de enfrentar a vida adulta, também revelando um excelente diretor e os jovens atores Sven Schelcker e Jasna Bauer”. Célia faz questão de ressaltar que todos os selecionados são imperdíveis. “Tentamos, com eles, retratar a amplitude do cinema suíço contemporâneo para o público brasileiro”, finaliza.

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Serviço 

7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo 

Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 - Centro - Tel.: 3808-2020). De amanhã a 18/6. R$ 10 e R$ 5. Programação da primeira semana: 

Amanhã: “Eu não tenho idade (Para te amar)”, de Olmo Cerri, às 17h, e “Sobre ovelhas e homens”, de Karim Sayad (que participa de debate após a sessão), às 19h. 

Quinta: “Eu sou a gentrificação - Confissões de um canalha”, de Thomas Haemmerli, às 17h, e “A fúria de ver”, de Manuel von Stürler, às 19h. 

Sexta: “BE’ JAM BE Esse canto nunca terá fim”, de Caroline Parietti e Cyprien Ponson, às 17h, e “Hafis & Mara”, de Mano Khalil, às 19h. 

Sábado: Programa curtas, às 15h, e “Golias”, de Dominik Locher, às 17h.

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