De tirar o chapéu

Alcione se apresenta pela primeira vez no Engenhão,com show de sucessos

“Eu sou a Marrom”, projeto que marca os 45 anos de carreira de Alcione, ganha domingo um capítulo a mais e especialmente carinhoso, na turnê que começou no ano passado e ainda tem muita estrada a percorrer. A cantora faz show dedicado às mães no Engenhão, às 20h, em noite que pode ser considerada uma estreia: “Já tinhamos pensado em fazer uma apresentação em um grande espaço, aí veio a ideia do espetáculo em homenagem às mães. Será a primeira vez que cantarei lá, só tinha ido ao estádio uma vez, em 2016, para ver o Guns N`Roses, quando as pessoas ficaram abismadas em me ver em um show de rock!”, lembra ela do alvoroço causado por sua aproximação com Axl Rose.

Na apresentação de domingo, pode até não ter rock, mas o público vai ouvir e cantar junto uma avalanche de grandes sambas, boleros, xotes, reggaes e muitas canções românticas pinçados entre os seus 42 álbuns (e nove DVDs). “Este é um show baseado nos maiores hits, um repertório feito, sob medida, para comemorar esta data tão emblemática. Mas selecionar repertório é sempre um garimpo, tem muita música boa que acaba ficando de fora, seja sucesso ou inédita”, conta. “Estranha loucura”, “Meu ébano”, “Meu vício é você”, “Sufoco”, “Não deixe o samba morrer”, “Você me vira a cabeça (Me tira do sério)”, “Gostoso veneno” e, claro, a que dá nome ao show, são algumas das que serão apresentadas pela artista, ao lado da Banda do Sol.

As participações serão da bateria da Estação Primeira da Mangueira e do cantor Péricles: “Eu e Péricles somos amigos e temos uma admiração mútua como artistas. Ele tem um vozeirão poderoso, possante, e tenho a certeza que vai preencher aquele espação do estádio. Vamos cantar juntos ‘É demais’, que gravei em dueto com ele. É demais, linda mesmo!”.

Alcione, que já fez shows em 30 países e ganhou mais de três centenas de prêmios, mantém a voz praticamente intocada desde o início de carreira. “Um dos cuidados que tenho é transitar, confortavelmente, nas tonalidades. Porém, o mais importante é dormir o suficiente. O sono é um elemento fundamental para a minha voz”, conta. Ao lado de nomes como Beth Carvalho, Clara Nunes, Lecy Brandão e Dona Ivone Lara, pode ser considerada uma pioneira - bem-sucedida - no mundo do samba. 

“Ainda existe machismo, infelizmente, em todos os setores e no samba não é diferente. Mas o panorama já melhorou. Existe uma leva de cantoras e compositoras, hoje, que faz samba muito bem e está conquistando espaço. Eu fui uma das pioneiras, mas é importante dizer e sem abdicar do ‘anel de sambista’, que sou uma cantora popular! Gosto de cantar tudo o que me agrada: samba, jazz, reggae, música romântica, forró... Não tenho preconceito quanto a gêneros musicais”, destaca Alcione, definindo: “Música ruim, pra mim, é aquela que não me emociona”.

A comemoração do quase meio século de carreira não se limita à turnê de “Eu sou a Marrom”. Em breve, chegam DVD, documentário, musical e biografia. “O documentário é uma parceria da Documenta Filmes, Canal Brasil e Globo Filmes e tem direção de Angela Zoe. Eles estão filmando tudo, me acompanhando nos shows e fazendo entrevistas. Vai ficar lindo!”, manda o recado. Sobre o musical, ela diz que está delegando a sua equipe, pois a agenda de shows pelo país está bem corrida. 

“Deixei nas mãos competentes do produtor Jô Santana e do diretor musical Carlinhos Brown. Mas, quando posso, procuro saber a quantas isso tudo anda”, diz, rindo. E acha que os musicais, mesmo com a recente leva de homenagens a Nara Leão, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Cla-ra Nunes, são um gênero a ser mais explorado no Brasil: “Acho que é um filão maravilhoso, afinal, são biografias de ícones talentosos da nossa música que sempre contribuíram para a divulgação da cultura brasileira. Hoje não somos, apenas o país do futebol. Nossa música tem um imenso prestígio, é reverenciada mundo afora.”

Dos projetos, apenas a biografia está nos primeiros passos. “Quem está escrevendo é a jornalista Diana Aragão, uma grande amiga, que acompanha minha carreira há muito tempo”, conta ela, sem antecipar uma linha da história. “É segredo de Estado, surpresa é surpresa. Afinal, um livro tem de trazer novidades, casos inusitados, coisas  que o público ainda desconhece”, justifica, aproveitando para agradecer esta primeira entrevista ao JORNAL DO BRASIL: “Estou muito feliz com a volta do jornal de trajetória histórica, que jamais deveria ter deixado de circular”.

Serviço

Alcione - “Eu sou a marrom”. Participação de Péricles e Bateria da Mangueira. Estádio Nilton Santos/Engenhão (R. José dos Reis, 425 - Engenho de Dentro). Amanhã, às 20h. Ingressos: R$ 30 a R$ 50. (compras pelo www.aloingressos.com.br). Classificação : Livre.