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"Mulher: substantivo múltiplo", destaca crítica sobre "Para ter onde ir"

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A estreia de Jorane Castro na direção de longas busca o sensorial quase o tempo todo. Seguindo a jornada de três amigas até o litoral do Pará, a cineasta local constrói um longa de sentidos muito mais que de certezas, enriquecendo a narrativa com as conjecturas que cada espectador zer. Eva é prossional da indústria marítima, Melina é sua melhor amiga em busca do amor a qualquer custo, e Keithylennye é a jovem cantora e mãe que vai atrás do que perdeu. As três precisam fazer as pazes com sentimentos interiores, que as colocam em angústia não-verbalizada.

A primeira parte do lme termina com o trio chegando à praia que era seu rumo. Até então Jorane pauta sua narrativa em diálogos naturalistas entrecortados por silêncios, mas a busca dessas amigas fará algum sentido? Essa metade consegue absorver o naturalismo que o longa pede de maneira orgânica. A segunda ganha em poesia e perde em esclarecimento. Ainda que nenhum lme precise responder questões, o que ganha um que abafa uma discussão decisiva com sons do vento? Deve ter sido melhor assim, dada a desconexão entre o jogo cinematográco proposto até então e a articialidade dessa única cena, que parece deslocada. Ainda que o todo guarde pontos relevantes do ponto de vista técnico, a estreia de Jorane parece ter mais vontade de acertar do que acertos propriamente ditos. Não é o bastante para uma carreira vasta, mas é um cartão de visitas válido e que provoca clara reexão sobre as demandas reais que o lme pincela acerca do dia a dia de mulheres comuns.

*Frank Carbone é membro da ACCRJ

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PARA TER ONDE IR: ** 

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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