'Passeio pela linguagem cinematográfica', destaca crítica sobre 'O Parque'

Grama verde, caminhos sinuosos, árvores que parecem esboçar gestos. Quem já teve a experiência de observação de um parque com o olhar imaginário vai saborear o segundo filme escrito e dirigido pelo francês Damien Manivel. É no cenário tratado com minimalismo pela fotografia simétrica da também roteirista Isabel Pagliai que se desenvolve a trama de encontro de dois jovens em “O parque” (original Le Parc). 

Naomi e Maxime querem se conhecer melhor. Eles conversam sobre trivialidades até chegar a Freud e tocar em questões familiares e do inconsciente. A relação vai caminhar para um lado aparentemente óbvio. A habilidade de Manivel está em manter a plateia em expectativa. O que parece corriqueiro no encontro de um menino e uma menina provoca nossa imaginação sobre o que virá a seguir. O clima remete “Um só pecado”, de Trufiaut, não pela trama, mas pela forma como cria uma ansiedade sobre a ação. E como quebra a expectativa. Outra habilidade está na captura do ambiente em sons e imagens do vento nas folhas, da água corrente, dos animais e de crianças brincando.

Damien Manivel também evoca “O eclipse”, de Michelangelo Antonioni. A geometria do passeio de Naomi e Maxime rima com os encontros de Piero e Vittoria do clássico filme italiano. Mas, desta vez, não será um eclipse que vai expor os vazios. Em “O parque”, a noite é que vai conduzir a atmosfera por caminhos surreais. O elenco é formado pelos estreantes Naomi Vogt-Roby e Maxime Bachellerie, além de Soberé Sessuouma, como o guarda. Os três em atuações eficientes para o exercício de linguagem que “O Parque” realiza com êxito.

* Ana Rodrigues é membro da ACCRJ

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O PARQUE: *** (Muito Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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