Dia de chorinho na Baden Powell

Fernanda Canaud e Marco de Pinna interpretam obras de  grandes mestres do gênero

O país em crise, mas os concertos e shows não param! Felizmente, há empreendedores e artistas na cidade decididos a fazer acontecer, mesmo com dificuldades de encontrar patrocinadores. O público agradece, comparecendo e se divertindo. Dependendo da programação, os ingressos se esgotam rapidamente. Além do Theatro Municipal e da Sala Cecília Meireles, a Sala Baden Powell também tem uma programação dedicada à música erudita, o projeto “Domingos clássicos internacionais”, idealizado por Fernanda Canaud. 

Localizada em Copacabana, onde era o antigo cinema Ricamar, símbolo de tantos filmes marcantes de várias gerações até o final dos anos 1990, a Sala Baden Powell está, desde fevereiro de 2017, sob a direção de João Donato, que organiza uma programação intensa e eclética, incluindo música, dança, teatro e até a volta de filmes, com o Cineclube Ricamar, que funcionará a partir do próximo dia 30 com quatro sessões diárias, todas as segundas e a preços populares. 

Entre os artistas que se apresentarão em breve no projeto, estão David Feldman, Marco Sacramento, Ângela Maria, David Chew, Orquestra Rio Camerata, Arthur Moreira Lima, Associação de Canto Coral, Orquestra de Sanfonas, entre muitos outros. 

O “Domingos clássicos internacionais” de hoje apresenta um programa imperdível, sobretudo para quem gosta de choro (considerado um dos mais sofisticados gêneros da música popular brasileira, mais conhecido como chorinho), em dupla homenagem: ao centenário de nascimento de Jacob do Bandolim e ao Dia Nacional do Choro (dia 23 de abril, data criada para celebrar o nascimento de Pixinguinha). 

Os intérpretes deste concerto são Marco de Pinna, compositor e virtuoso do bandolim, e Fernanda Canaud, pianista que se destaca tanto em Mozart como em Pixinguinha. Canaud, que já gravou diversos CDs dedicados à música brasileira, um deles à obra de Radamés Gnattali e outro, “Meus caros pianistas”, à de Francis Hime, é considerada uma pianista de rara sensibilidade e que soma às sofisticadas interpretações uma bela e marcante presença no palco. O programa deste domingo inclui, além de Jacob do Bandolim e Pixinguinha, músicas de Ernesto Nazareth, Radamés Gnattali, Eduardo Souto e Joaquim S. Callado, todas com arranjos da própria pianista. 

Canaud conta que começou a idealizar esta série de concertos quando voltou ao Brasil após uma temporada em 2016 nos EUA: “Vi uma cidade sem nenhum concerto clássico acontecendo, fiquei chocada e resolvi botar a mão na massa. Propus o projeto ao João Donato, que me recebeu muito bem. Sou muito grata a todos que vestiram a camisa da música clássica na Sala Baden Powell. Temos aprovação de captação da Lei Rouanet, mas ainda não temos patrocínio que possa garantir uma vida longa ao ‘Domingos clássicos internacionais’”.  

Há público, e grande, nas portas dos teatros. Então, do jeito que tantos empreendedores e artistas estão se mobilizando para fazer do Rio novamente uma cidade com uma vida cultural de alta qualidade, é torcer para que seja uma questão de tempo para os patrocinadores chegarem mais perto e para que percebam este movimento cultural querendo e passando por cima da crise. Afinal, investir em cultura já provou ser um bom negócio, além de fazer o Rio de Janeiro pulsar mais na direção de sua vocação de polo cultural do país. 

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