Festa no mundo do disco. A 20ª edição da Feira do Vinil, que hoje está de volta ao ginásio do Colégio Bennett, rende homenagem ao músico e compositor João Donato. O mesmo troféu já foi entregue a Wilson da Neves, Marcos Valle, ao grupo Azymut, Arthur Verocai e Carlos Dafé.
Com entrada gratuita, mediante a doação de um quilo de alimento, o evento será realizado das 10h às 18h. A cada edição, chega a reunir 2 mil pessoas, número que quase duplicou na 10ª edição. Além de caçar discos, os apreciadores do vinil vão poder assistir ao painel “Vinil – Mercado, memória e mídia”, que vai receber profissionais que trabalham com música, direta ou indiretamente.
Para o produtor da feira, Marcelo Maldonado, “o mercado de discos no Brasil, mesmo com a crise, se mantém aquecido graças principalmente as novas gerações que redescobriram o LP e a outra parcela do público que manteve-se fiel ou está novamente refazendo suas coleções”.
É o caso do engenheiro e colecionador André Valle, de 50 anos: “Existe um movimento de des-digitalização das coisas. Percebo isso em fotografia, com o renascimento da Polaroid e da Kodak, e no vinil. As pessoas, tendo todo o conteúdo disponível, agora querem ter o prazer do contato físico com o produto”.
André conta que o vinil mais raro que conseguiu comprar no ano passado foi “Get the Knack”, do grupo The Knack, mais conhecido pela música “My Sharona”: “Eu tinha o álbum na adolescência e foi uma sensação muito boa poder ouvir de novo em vinil de 180 gramas, de alta qualidade. Ouvir ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’, dos Beatles, em vinil 180 é uma experiência única. Paguei cerca de 25 euros em cada um no exterior, o que dá aproximadamente mil reais”.
A Feira de Vinil carioca tem uma preocupação especial com o conceito artístico que envolve o LP, além de manter múltiplas possibilidades de diálogo com outros segmentos, como a literatura e as artes plásticas. Maldonado diz que o mercado de disco de vinil já se firmou e “não pode ser considerado uma modinha, mas um importante nicho de mercado. O público consumidor de LPs tem um bom nível socioeconômico, boa escolaridade, muitos com nível superior. E a idade de quem vai à feira varia muito, tem crianças, adultos da nova geração do LP até a Terceira Idade”.
Parque de diversões
Sobre a Feira do Vinil, o escritor e pesquisador de rock Nélio Rodrigues comenta que “para um colecionador, uma feira dessas é uma rara oportunidade de esbarrar em discos que não costumam aparecer por aí. Portanto, há muita ansiedade e excitação. É como ir a um parque de diversões. Aliás, é bem melhor do que isso. A Feira do Rio é a maior feira de discos do Brasil.”
Nélio conta que o disco dos seus sonhos, que adoraria encontrar na feira, “é o único LP da banda californiana Creation of Sunlight, de 1968, que é vendido no exterior a 300 dólares.
“Acho que a música digital não é tangível como são os discos. Afinal, é melhor ver a Monalisa ou uma obra de Dalí através do computador ou se defrontar com elas, tê-las à sua frente, vê-las ao vivo? Há muito mais graça em ter o ‘produto artístico’ em suas mãos do que perdido numa nuvem de computador,que nem sua é.”
As bandas Monoplano, Cajubeats e Digga Digga vão tocar para o público da feira e será cobrada, como entrada simbólica, um quilo de alimento, a ser entregue à instituição de caridade Solar Meninos de Luz. Ao longo do dia, vários DJs apresentarão seus sets em vinil, especialistas nos mais variados estilos; MPB, black music, rock, eletronic.
E, pela primeira vez em sua história, a Feira do Vinil terá um expositor internacional, o Human Head, vindo diretamente do bairro do Brooklyn, Nova York. Cerca de 60 expositores de todo o Brasil estarão presentes com discos e CDs. Do Rio, participarão a Tropicália Discos e a Arquivo Musical, além da Livraria Baratos da Ribeiro e da Satisfaction.
Os paulistas serão representados pela Locomotiva, Mafer Discos e Vinil SP, para citar alguns. O evento também terá estandes de venda de CDs, equipamentos de áudio, marcas de roupas e acessórios.
* Luiz Antonio Mello é jornalista ([email protected]