EUA homenageiam Martin Luther King

Os Estados Unidos prestaram homenagem a Martin Luther King, nesta quarta-feira (4), ícone da luta pacifista contra as desigualdades raciais, assassinado há 50 anos em Memphis, Tennessee, por um supremacista branco.

Em 4 de abril de 1968, às 18h01, o pastor negro é letalmente atingido por uma bala na sacada de um hotel de Memphis, onde tinha acabado de dar seu apoio aos garis em greve. Sua morte, aos 39 anos, deflagra uma série de revoltas em várias grandes cidades americanas.

Cinquenta anos depois, multidões vão às ruas para homenageá-lo: em Washington, ao redor da estátua de seu memorial no Mall, pela manhã, e diante do motel Lorraine de Memphis, depois transformado em museu, na hora exata em que foi executado.

Em Memphis, "haverá muita coisa esta semana. A cidade vai mostrar seu lado mais bonito", afirmou o reverendo Jesse Jackson, emblemático defensor dos direitos civis nos Estados Unidos que estava em Memphis com o pastor King.

A ferida de sua morte "ainda é uma fonte de dor e de ansiedade. Você tira a casca e a ferida ainda está aberta. Aconteceu tão de repente, no meio da conversa, indo jantar. Ele sempre terá 39 anos".

Perseguido pela Polícia ao longo de toda sua carreira política, o defensor da justiça racial e da não violência é, agora, celebrado com um feriado nos Estados Unidos no dia de seu aniversário, em 15 de janeiro de 1929.

"Ainda que ele tenha sido tirado dessa Terra de maneira injusta, ele nos deixou como legado a justiça e a paz", declarou o presidente Donald Trump em uma proclamação oficial por ocasião de seu 50º aniversário.

"Temos de aspirar, ativamente, a tornar possível o sonho de vivermos juntos enquanto um único povo com um objetivo comum", acrescentou o presidente republicano, acusado de incitar a extrema direita americana, ao multiplicar as investidas contra os imigrantes.

- Com Gandhi e Mandela -

A militância de Martin Luther King começou com o movimento de boicote a ônibus em Montgomery, no Alabama, cidade onde ele era um pastor batista. Na época, denunciava a segregação, o racismo e as desigualdades, que vitimizavam os afro-americanos. Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King entrava para a História com seu discurso "Eu tenho um sonho", diante de cerca de 250 mil manifestantes em Washington na Marcha pelo Trabalho e pela Liberdade.

Um ano depois, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua resistência não violenta contra a segregação racial.

"Era um homem que marchava, era um homem não violento", disse à AFP Elmore Nickleberry, um gari de Memphis que participou das greves de 1968.

"Ele sempre dizia: 'venham à próxima marcha'. E ele disse 'uma marcha não violenta'", acrescentou.

"Ele acreditava na não violência. E é no que eu acredito, na não violência", completou.

No final dos anos 1960, o pastor King havia perdido sua aura ao se tornar um ferrenho opositor da Guerra do Vietnã, em um momento em que o conflito ainda não dividia o país. E uma parte da juventude negra, impaciente por ver mudança, não acreditava mais nas manifestações pacifistas para levar a luta adiante.

E, se a segregação foi abolida, o racismo, as injustiças e a violência continuam presentes na sociedade americana. A cidade de Memphis "conta com 63% de afro-americanos, o percentual de pobreza é de 44% para os adultos, e de 30%, para as crianças", lembrou Jesse Jackson.

"Trinta mil americanos são mortos a cada ano", acrescentou. "Nós nos matamos uns aos outros mais do que qualquer outra nação. Precisamos ter o senso racional de escolher a não violência e tomar um outro caminho", insistiu.

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