Marcelo Janot lança em Botafogo o livro ‘Revisão crítica’

Em 1992, o crítico de cinema redigia seus textos na máquina de escrever, e não havia internet para ajudar na pesquisa. Foi neste cenário que Marcelo Janot iniciou a sua carreira, no caderno cultural da “Tribuna da Imprensa”. Ao longo dos últimos 25 anos, o exercício da crítica mudou junto com os meios de comunicação, e ele exerceu o ofício em todas as mídias. Formou uma geração de cinéfilos com seus comentários no Telecine Cult por quase uma década; vislumbrou a busca do leitor por crítica de maior credibilidade na internet ao criar o Críticos.com.br e, na mídia impressa, viveu os áureos tempos da revista “Programa” do “Jornal do Brasil”. Ele também ministra cursos livres sobre a filmografia de Woody Allen, Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock, entre outros, sempre com muita competência. Janot foi presidente, entre 2003 e 2006, da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Como membro da Fipresci, a federação internacional dos críticos, integrou o júri da crítica em festivais internacionais como Rotterdam, Havana e San Sebastian, entre outros. Colaborou com diversas publicações brasileiras e estrangeiras, como a revista francesa “Positif” e a edição espanhola da “Cahiers du cinéma”. 

Sua trajetória é recontada neste livro de uma maneira bastante original: fazendo a crítica das próprias críticas. Os textos são acompanhados de observações sobre normas e estilos predominantes em cada época, curiosidades sobre os bastidores da atividade, além de dicas para quem quer se tornar crítico. Com isso, além de oferecer uma saborosa seleção de críticas, Janot mostra que não é apenas a percepção dos filmes que muda ao longo do tempo, mas o que se escreve sobre eles também. 

Obras como o livro “Revisão crítica” (Ed. Autografia – 256 páginas, R$ 39) são importantes especialmente para aqueles que equivocadamente pensam que a crítica de cinema é uma arte em extinção. A incompreensão de sua função é sintomática de uma sociedade que dedica cada vez menos tempo à leitura. Como vertente da filosofia, a análise aprofundada de um fi lme pode abraçar diversos temas. O cinéfilo pode, partindo de um filme, discutir literatura, Sociologia, Psicologia, um leque imensurável de referências culturalmente enriquecedoras. 

Sobre a experiência de revisitar seus textos antigos,  Marcelo Janot comenta: “Assim como muitos cineastas não gostam de rever seus próprios filmes (como Woody Allen), eu estava um pouco receoso sobre como me sentiria. Mas foi muito prazeroso este reencontro com o passado, na medida em que percebi que, embora os textos da década de 1990 e da seguinte refletissem o pensamento nem sempre maduro de um jovem de 20 e 30 anos, a minha paixão pelo cinema e a coerência já estavam presentes desde aquela época”. A noite de autógrafos aconteceerá hoje, a partir das 18h, no Espaço Cultural Olho da Rua, que fi ca na Rua Bambina, 6 - Botafogo. 

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