Teatro de Bonecos apresenta 'Pulcinella' a tribos da Amazônia

Italiano Bruno Leone embarcará em expedição do "Gaia"

O Teatro das Guarattelle" ("Teatro de Bonecos") do napolitano Bruno Leone vai à Amazônia na próxima semana para apresentar seu trabalho aos índios do rio Arapiuns, que vivem na divisa do Pará com o Amazonas

Pulcinella é um personagem burlesco da "commedia dell'arte" italiana. Sua principal característica é o nariz longo, a barriga grande, a roupa multicolorida e a fala esganiçada. Leone levará fantoches, marionetes e histórias do personagem a bordo do Gaia, um típico barco de madeira do ex-jornalista da Ansa Oliviero Pluviano, que promove expedições culturais pela Amazônia com a embarcação. 

"Já levei Pulcinella ao Equador e ao México, mas nunca cheguei aos rios da Amazônia. Eu gosto muito desses locais distantes, porque encontramos pessoas mais bonitas, com os valores antigos que estão se perdendo rapidamente na nossa comunidade moderna", disse Leone, de 68 anos. "Estaremos ao redor de um calor humano diferente", comentou. 

O Gaia, que tem capacidade para 8 pessoas, além de três membros da tripulação, mede 15 metros e, desde o ano de 2011, promove o "Projeto Fitzcarraldo" com a Agência Moby Dick, o qual projeta filmes clássicos do cinema para as comunidades ribeirinhas. 

"No último mês de julho, fizemos uma longa viagem para exibir filmes a ceu aberto ou no meio da floresta para 15 comunidades de Arapiuns, um afluente do Rio Tapajós. Agora, voltaremos para levar, para adultos e crianças, índios e caboclos, as marionetes napolitanas de Bruno Leone", disse Pluviano, de 65 anos, nascido em Gênova, correspondente no Brasil da Ansa por 22 anos. 

O Gaia, de 29 de outubro a 5 de novembro, receberá a bordo o Teatro de Pulcinella e Teresina, e de outras marionetes e fantoches da cultura napolitana. Nesta nova viagem, embarcará também o documentarista brasileiro de origem italiana André Costantin.    

"Os espetáculos com os teatros de boneco serão todos em dialeto napolitano. Estive na Polônia, na Romênio, na França, mas a linguagem gestual dos fantoches é super compreensível, uma língua universal. As crianças se divertem muito", afirmou Leone.