Ele vem de uma família ligada à música clássica. Em seus CDs anteriores, “O som do Beco das Garrafas” (2009) e “piano” (2014), flertou com a bossa e com o jazz, consolidando-se entre os novos talentos instrumentais do país. Agora, aos 38 anos, David Feldman olha para novos horizontes. Em seu terceiro CD, “Horizonte” (cujo título não foi dado por acaso), o pianista apresenta composições próprias (sete das dez faixas), ligadas à linha melódica da canção (“Adoro canção e música popular”, explica) e, ao lado de André Vasconcellos (baixo) e Marcio Bahia (bateria), mata a saudade de tocar em trio. O disco traz ainda as participações do maestro Toninho Horta (violão) e do trombonista Raul de Souza – referências na formação de David. Horta é um dos três compositores regravados no álbum – no caso, sua “Soccer ball”. Os demais são Oscar Castro Neves (“Chora tua tristeza”, com Luvercy Fiorini) e Johnny Alf (“Céu e mar”). O CD tem patrocínio da Petroserv e da GKO, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura do RJ. O lançamento será no dia 13 de outubro, no Solar de Botafogo, em show que terá a participação de Toninho Horta.
Quando o assunto é música, David não é hermético ou purista. Em seu iPod cabem desde o clássico, passando pela MPB tradicional, e chegando ao rock e ao pop dos anos 1980. Natural que tais influências deixem vestígios no seu processo criativo. E um elo foi percebido por ele nos temas que compôs recentemente: o de suas melodias estarem mais longe de um virtuosismo e mais próximas do que chama de uma linha melódica da canção -- ainda que nenhuma delas tenha sido letrada. “O que me interessa hoje não é a quantidade de notas que posso tocar, mas a qualidade da sonoridade obtida com elas”, explica o músico.
E para chegar a tal sonoridade, David pôs em prática uma vontade que o acompanhava há tempos: a de voltar a tocar em trio. O passo seguinte foi convocar André Vasconcellos (baixo) e Marcio Bahia (bateria). “Adoro tocar com os dois porque eles têm um tempo e um senso rítmico fortes. E não ficam engessados, conseguem tocar ao redor do que você faz. Como uma flutuação”, analisa. E por que não voar mais alto? Toninho Horta deu uma turbinada ali, e Raul de Souza, o sopro que faltava. “Num tempo em que as pessoas se vêem cada vez menos, fiz questão de promover esses encontros, com todo mundo tocando junto”, frisa Feldman.
Tal mistura deu liga. David sabe que sua sonoridade mudou. Tal mudança foi gradual. Neste caso, “Chora tua tristeza”, faixa que abre o CD, tem uma função estratégica: servir de ponte entre o que ele vinha fazendo para o que ele mostra neste novo trabalho. “Se compararmos o CD com uma série de TV, essa faixa tem a função de situar o espectador sobre o que aconteceu na trama, tipo ‘No capítulo anterior’”, compara ele, com bom humor. E a brincadeira para por aí. Sua relação com a música é séria. E leve como um voo entre céu e mar.
Serviço:
Show de lançamento do CD “Horizonte”, de David Feldman
Dia e hora: 13 de outubro (quinta-feira), às 21h
Local: Teatro Solar de Botafogo (R. Gal Polidoro, 180, Botafogo. Tel: 2543-5411)
Funcionamento bilheteria: das 15h às 20h, a partir de terça-feira
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada nos casos previstos em lei)