Exposição une moda e arte em espaço no Jardim Botânico

Moda e arte contemporânea dialogam na primeira exposição que a artista carioca radicada em Miami, Adriana Lerner Adelson, realiza no Rio de Janeiro. Point das fashionistas da cidade, a charmosa loja Dona Coisa, no Jardim Botânico, abre suas portas para os trabalhos da série “Unexpected Cashmere”, produzidas à mão, a partir do mais puro cashmere produzido em uma fábrica do Nepal.

Há alguns anos, ao visitar Kathmandu, Adriana conheceu uma fábrica que produzia peças em cashmere, através de um processo manual, por um grupo de tecelãs. Ela ficou encantada com todo o processo e principalmente pela alta qualidade das peças, feitas com pelo de cabra e tecidas à mão. Porém, após o terremoto de abril de 2015, a fábrica estava ameaçada de desaparecer por falta de turistas no país, e também por não conseguir competir com concorrentes que utilizavam métodos de baixo custo e matérias-primas inadequadas para o que se define como cashmere.

Seguindo seu sonho de investir no empreendedorismo social, a artista começou a apoiar os negócios da região e exportar os xales de cashmere. Neste contato diário com o material, Adriana começou a brincar com os xales de cashmere, deslocando-os de sua função de acessório, e assim desenvolveu uma pesquisa artística que agora chega à cidade. A exposição itinerante passa primeiro pelo Rio de Janeiro, em seguida vai para a BOSSA Gallery, no Design District em Miami, e segue para IK Projects Gallery, em Bogotá.

Marcado pela fluidez, leveza e organicidade, o cashmere amplia os sentidos e demanda a interação do público com as obras. Flexível ou até camaleônico, ele se transmuta com as nuvens e com objetos cotidianos, criando novos significados.

Todos os trabalhos têm visuais inusitados e mostram esta interação do material milenar com o mundo contemporâneo, ocidental e tecnológico emtromp l’oeils cotidianos em que trabalha cores, formas e sensações.

As obras abordam o lúdico, mas também o sonho: sentir as nuvens do céu e se enrolar nelas; tocar no brilho de pequenas constelações de estrelas adicionadas à uma peça; se aventurar na arquitetura dos favos de mel; virar o animal que se liberta das jaulas de um zoológico; e despertar em casulos. Mergulhar no azul índigo e absorver a cor. Atravessando fronteiras, o cashmere inusitado de Adriana se encontra com os sacos de café feitos de juta brasileira, em um confronto harmônico de texturas.

Completam a mostra as peças da série “Jóia Rara – Olympics”, de 2016, que mistura o fio de cashmere da Mongólia com metal originalmente retirado de Calcutá (Índia). Em peças escultóricas, a artista cria jóias atemporais que alcançam tons perfeitos das medalhas de ouro, prata e bronze, no mês em que a Cidade Maravilhosa recebe sua primeira Olimpíada.

Toda a pesquisa de Adriana promove a continuidade do artesanato tradicional, onde tudo que é aprendido, trocado e toda conversa geram uma reflexão sobre um mundo baseado na construção coletiva e relações sem fronteiras.

A exposição será inaugurada no dia 4 de agosto, de 16h às 20h, na Dona Coisa (Rua Lopes Quintas, 153 – Jardim Botânico) e vai até o dia 29 do mesmo mês. Funcionamento: de segunda a sexta, de 11h às 20h; e sábados de 11h às 18h. Entrada gratuita. Mais informações:[email protected]

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