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Beatriz Carneiro e Ricardo Becker juntos em 'Um corpo, duas cabeças'

Exposição abre no próximos sábado, dia 29, no Horto

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Animais e plantas de cimento, pães calcinados; autorretratos, orelhas de ouro e prata aplicadas sobre conchas de caramujos, um divã carregado de simbologias. Em sentido literal e figurado, quase tudo o que Beatriz Carneiro e Ricardo Becker apresentam na exposição 'Um corpo, duas cabeças' foi retirado “do fundo do baú” – seja de suas memórias ou de seus arquivos pessoais.

Dois artistas de relevância na arte contemporânea, eles vão apresentar suas reflexões, singularidades e experiências de arte em laboratórios espalhados pelo casarão do Horto, um imóvel tombado do início do século XIX. Duas instalações fluidas e livres vão ocupar salas, corredores, um pátio, e se espalhar pelo segundo andar com as obras reunidas pela curadora Cristina Burlamaqui.

“A visão consistente de Beatriz Carneiro, que transita entre escultura, instalação, pintura e videoarte, desponta como um antipoema dos anos 60, embeleza o processo do fazer e, mesmo quando usa materiais do cotidiano, foge da escultura tradicional, pois as obras se amontoam e vão invadindo os espaços”, analisa a Cristina.  “Becker apresenta sua produção desde os anos 80, com autorretratos, questões envolvendo sons e barulhos, como ‘orelhas de ouro e prata encravadas em grandes caramujos’. Ele mescla referências concretas com brincadeiras poéticas”, conclui.

Um embate entre o luxo e a pobreza, a natureza e a civilização

Como base do laboratório de Beatriz Carneiro, elementos que poderiam ter sido resgatados de algum lugar da infância, como latas velhas amealhadas por aí, onde crescem plantas de cimento. Pães feitos de troncos calcinados e pés de javalis e tatus, reproduzidos em formas acimentadas, revelam o lado dark do seu trabalho, que tem forte conotação de arte povera, resgatando materiais simples e encontrados pelas suas andanças. 

Autorretrato com um mergulho em Brancusi, Magritte, Giacometti...

Ricardo Becker apresenta uma coletânea de trabalhos em que aborda questões autobiográficas, carregada de símbolos e autorretratos, além de fotos de partes de seu corpo. No trabalho de baralhos, o artista utiliza fotos de quando era criança.  Em outros reverencia artistas como Beyus, Brancusi e Giacometti. O ponto alto da instalação de Ricardo Becker é um  velho divã em couro utilizado na psicanálise, apoiado em quatro caramujos, no pátio, e faz composição com outros trabalhos do artista, feitos com galhos e fotos.

Serviço: 'Um corpo, duas cabeças', com Beatriz Carneiro e Ricardo Becker

Vernissage: dia 29 de agosto, sábado, às 16h 

Temporada: até o dia 15 de outubro, de terça a sábado, das 16h às 19h

Local: EMCB - Rua Fernando Magalhães, 273 – Horto

Entrada franca

Mais informações: (21) 2274-8803