Uma das mulheres mais polêmicas - e, sem dúvidas, a mais amada - da cultura popular brasileira nos anos 1960/70, Elis faria 70 anos nesta terça-feira (17).
O que seria da música popular brasileira sem Elis Regina? Para muito além do simples exercício de cantar, a gaúcha baixinha na altura e gigante na atitude, que faria 70 anos nesta terça-feira (17), deu uma visão diferente para a presença da mulher no meio musical, na política e na sociedade.
Filha de Romeu Costa e de Ercy Carvalho, desde pequena se caracterizou como uma cantora do rádio. No começo - o que durou até os primeiros anos de sucesso -, foi sempre bastante conservadora e nacionalista quando se tratava de música. Nada além de bossa nova passaria.
Sua influência neste sentido era tanta que acabou convencendo o tropicalista e liberal Gilberto Gil a participar da marcha contra a guitarra elétrica, em 1967, organizada por ela, enquanto Caetano e Nara Leão riam de tudo de uma janela do Hotel Danúbio, na Bela Vista, em São Paulo.
No entanto, quanto mais Elis conhecia seu meio e mais se irritava com o avanço da ditadura, menos conservadora ficava. Ao longo da carreira, gravou como Falso Brilhante (1976) e Transversal do Tempo (1978), abusando das influências jazzísticas que sempre lhe pareceram naturais, além do dueto inesquecível com Tim Maia em These Are The Songs, bem antes, em 1969, o primeiro grande número do rei do soul. Teve samba também, e dos bem tradicionais. Tiro ao Álvaro, dueto com Adoniran Barbosa, é o mais famoso.