Um ano após lançar o primeiro álbum, "Rosto", que conquistou admiradores e dezenas de reportagens na imprensa nacional, o compositor e poeta Sylvio Fraga está em vias de entrar em estúdio novamente. Antes, está se apresentando no carioca Audio Rebel, em Botafogo, para experimentar as inéditas que vêm criando desde dezembro do ano passado com a nova banda. O último dos três shows será na noite de 21 de novembro, às 20h. Sylvio Fraga vai tocar violão e cantar acompanhado por José Arimatéia no trompete, Mac Willian Caetano na bateria e Bruno Aguilar, o novo integrante, no baixo acústico. A entrada é grátis.
"O Ari (apelido do trompetista) já participava intensamente e a gente apenas oficializou um processo criativo. Antes, a gente começava a trabalhar uma música, sentia falta de algo e chamava o Ari. Agora ele entrou na banda, temos um novo baixista, que toca o acústico, e um quinto elemento. Somos um quarteto com as participações especiais do Lucas Cypriano no teclado", diz Sylvio, um inquieto por natureza, no melhor sentido da palavra. E por falar em palavra, Sylvio tem livros publicados como poeta e usa um princípio poético para definir o som da banda.
"O processo é bastante intuitivo, mas pode ser explicado como se cada músico seguisse um caminho paralelo que funciona quando todos os instrumentos se juntam. É o que chamamos na poesia de parataxis: um verso não tem nada a ver com o verso seguinte, mas, quando estão ali no mesmo poema, algo novo se cria a partir da proximidade desses dois versos. Toco uma marcha no violão e quero que baixo e bateria toquem outras coisas para fazer um som que a gente não esteja acostumado a ouvir". É a surpresa que faz a música acontecer com o sentido que eles buscam.
Ao longo de 2014, Sylvio estudou teoria musical com o guitarrista Bernardo Ramos e sente que melhorou o seu diálogo com os músicos. Eles ensaiam três vezes por semana, em sessões de três horas. Quando um ensaio precisa ser cancelado, arrumam a agenda para compensar nos próximos encontros. Todos têm um compromisso de estar junto naquele espaço e tempo, em função de criar coletivamente o repertório da banda. A parceria com o Pedro Dias Carneiro segue de vento em popa (para o segundo disco já fizeram "Fiquem calmas" e "Wurly"), mas Sylvio ainda busca letras para suas melodias inspiradas.
Por falar nas inéditas e autorais, cabe um aviso: Os títulos são todos provisórios. Aliás, o próprio nome do álbum ainda está em aberto. "O propósito desses shows no Audio Rebel é sedimentar o trabalho de um ano para a gente entrar em estúdio no início de dezembro com tudo", adianta Sylvio. Nesses meses, ele compôs 15 músicas (com e sem parceiros, arranjos sempre assinados pelo quarteto) e pretende gravar as 15 para depois escolher quais cabem no CD.
"Eu gosto das 15", defende o band líder, um apaixonado pelos sons do Flying Lótus - referência desde que estreou profissionalmente na música - e do trio de jazz americano Vijay Iyer Trio. No roteiro das apresentações, estão "Bolo de jabuticaba", "Ave da cidade", "Fanta laranja", "Clara" e "New Jersey", entre outras. Elas foram exaustivamente trabalhadas num processo que desafia os próprios músicos a criarem e aperfeiçoarem até mesmo o que aparentemente já está bom. Sylvio explica, com um sorriso: "Quero gravar um disco só com as minhas músicas favoritas".
SYLVIO FRAGA QUARTETO NO ÁUDIO REBEL
QUANDO: 21 de novembro, às 20h
ONDE: Áudio Rebel - Rua Visconde Silva, 55, Botafogo, Informações: (21) 3435.2692
QUANTO: Grátis