Com discurso social, Criolo faz show contagiante no Lolla

  Sem muita concorrência - apenas os americanos do A Perfect Couple e o francês Madeon se apresentaram no mesmo horário -, Criolo fez um dos shows mais contagiantes deste sábado (30) no festival Lollapalooza, em São Paulo. Ele subiu ao palco às 20h15 ao som de Mariô. Usando suas túnicas de costume e com a energia que habitualmente mostra nos shows, o músico animou o público com a sua mistura de rap, rock, samba e reggae.

Conhecido pelas letras de cunho social, o paulistano do Grajaú fez uma apresentação eletrizante. No palco, ele é quase como uma encarnação. Pula, treme, balança, chacoalha - tudo ao ritmo de seu próprio som. E a plateia costuma acompanhar junto. Hoje não foi diferente.

"Muito boa noite a todos. É importantíssimo celebrar a música, a juventude, a vida de vocês. É um momento mágico. Vocês estão vivendo um momento especial pela condição de estar aqui. Sobretudo no nosso País, tão musical e desigual. Podemos ter esta noite algo a se pensar", discursou o músico depois de tocar sua segunda música da noite, Sucrilhos.

Em Subirosdoistiozion, terceira música, Criolo pulou muito. E a plateia acompanhou, contagiada. Ele pediu então para que as pessoas ligassem os celulares e acendessem isqueiros. O público obedeceu.

"Olha do que vocês são capazes! Irmãos e irmãs, temos corações. Não adianta ter tecnologia e não ter atitude. Vamos mandar a energia para as pessoas que estão necessitadas de amor", discursou ele, antes de cantar Samba, Sambei. "Chega. De alagamentos, reintegrações de posses, de assassinatos. Chega. Mais respeito", pediu antes do "tango" de Freguês da Meia-Noite. 

Mas foi em Não Existe Amor em SP que a plateia cantou a plenos pulmões, acompanhando Criolo em cada frase. Ao final da canção que levou o músico ao estrelato, homens e mulheres da plateia o elogiavam: "lindo, lindo, lindo".

Criolo aproveitou também para pedir a saída do deputado federal pastor Marco Feliciano (PSC) da Comissão dos Direitos Humanos e citou várias vezes o Grajaú, bairro da zona sul de São Paulo onde cresceu. "Aqui do lado tem uma linha de trem, a Esmeralda, que une Osasco ao Grajaú", lembrou, referindo-se à linha que passa pela Marginal Pinheiros.

Às 20h, o público começou a deixar o palco Alternativo e a se dirigir para o palco Cidade Jardim, onde o Black Keys tocaria às 20h30. Mas o show não perdeu fôlego. O DJ Dan Dan, que acompanha o rapper em todas as suas apresentações, chamou o público para um abraço coletivo: "juventude maravilhosa! Vocês, que trabalharam a semana inteira e resgataram uma grana para estar aqui, abraça aí teu parceiro, a pessoa que tá do teu lado. Muito amor nessa hora!". A plateia obedeceu e namorados, amigos e até desconhecidos se abraçaram.

Às 21h10, Dan Dan pediu "muito barulho para Criolo". Quem ainda estava por ali gritou muito, e os músicos deixaram o palco. Mas, contrariando a tradição dos shows em festivais, voltaram para um bis. Antes de se despedir, Criolo ainda colocou uma jaqueta da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians.

"Paz, amor, saúde e prosperidade. Dias melhores! E que o nosso País possa se transformar numa nação. Valeu pelo convite. Obrigado, festival!, finalizou ele, antes de deixar o palco definitivamente.

Set list:

Mariô

Sucrilhos

Subirosdoistiozin

Samba, Sambei

Freguês da Meia-Noite

Não Existe Amor em SP

Lion Man

Demorô

Grajauex