Taís Araújo, Jô Bilac e grande elenco em 'Caixa de Areia', no Teatro Sesi Centro

Ana, uma crítica de arte, é dona de um apartamento onde residiu na infância. Sua inquilina comete suicídio, tendo o corpo achado em caixa de areia do parque do prédio. E ela decide voltar àquela residência. Começa aí uma introspectiva viagem à vida da personagem, que analisa sua trajetória tendo como ponto de partida a morte de três pessoas marcantes: sua inquilina, seu filho, e seu marido. 

Este é o enredo de Caixa de Areia, peça escrita por Jô Bilac, com direção dele e de Sandro Pamponet, que está em cartaz no Teatro Sesi até 27 de abril, com sessões de quinta a sábado, às 19h30. No elenco estão os atores Taís Araújo, Luiz Henrique Nogueira, Cris Larin, Júlia Marini, Jaderson Fialho, com interpretações marcantes, que prendem a atenção do público.

O drama e os problemas das cincos pessoas constroem um elo entre épocas que mostram desgastadas relações familiares. Jô Bilac montou o texto, seu 14º encenado, durante o processo de ensaio, trazendo para a peça particularidades de cada ator. O público ri, se emociona, se assusta e procura entender a perspectiva da protagonista e sua agonia em tentar se encontrar após sucessivas perdas. Uma sessão de humor (ácido) com diálogos modernos e instantes de terror psicológico moderado. E explicações surpreendentes para a escolha do nome da peça.

Atores contam características de seus papéis

“Eu faço o pai de Ana, Douglas, que é casado com Marisa. A peça tem três momentos diferentes e estou na parte da infância da personagem. É uma família de certa forma desfuncional e todas as relações familiares pesam para o Douglas”, explica Luiz Henrique Nogueira, que esteve na novela Cheias de Charme, da Rede Globo como o empresário Laércio Migon.  

“Minha personagem é Marisa, mãe de Ana, mulher clássica da década de 50, que vive para a família, mas tem um anseio de liberdade muito grande”, relata a atriz Taís Araújo, que foi a Penha das Empreguetes também na novela Cheias de Charme. Ela brinca e ri ao dizer que entender Marisa é “super complexo e paradoxal”. Taís, que está se dividindo entre a peça, as gravações do seriado da TV Globo O dentista mascarado e a família, explica que ao mesmo tempo em que Marisa pões flores em tudo que ela conquistou, na realidade, o anseio dela é ser livre.

Júlia Marini analisa Ana como uma personagem difícil, por ter um desdobramento de duas atrizes. “Pego um recorte da vida desta pessoa inventada. Ela é crítica, às vezes bruta, em um momento explosivo, que abdica de ter uma vida como a mãe”. Cris Larin representa Ana no momento em que ela volta ao antigo apartamento, após o enterro do ex-marido, em uma fase com 50, 60 anos. “Ao chegar lá, ela entra em contato com todos os fantasmas do passado”.

“Eu começo Caixa de areia já morto”, esclarece Jaderson Fialho, que dá vida a Felipe, jornalista sem ambições, que vê a arte como medíocre e irrelevante. É marido de Ana, com quem tem discussões homéricas. 

“Uma das características do texto do diretor Jô Bilac é não deixar claro ou ser tendencioso no julgamento dos personagens. Esse espetáculo permite que o público dê as considerações”, comenta Júlia. Taís acrescenta que os espectadores saem com muitas questões; que Caixa de areia é democrática e não tem juízo de valor, cada um critica a sua maneira, “o texto fala com o espectador diretamente”. Uma história baseada na avaliação e na apreciação. Júlia finaliza dizendo que “tem uma questão séria em relação às perdas, o que as escolhas que fazemos durante a vida acarretam de ônus e bônus”.

Serviço

Espetáculo Caixa de Areia de Jô Bilac, com Taís Araújo, Luiz Henrique Nogueira, Jaderson Fialho, Júlia Marini e Cris Larin

Local: Teatro Sesi Centro - Avenida Graça Aranha, 1 - Centro - Rio de Janeiro

Data e horário: Até 27/4, quinta a sábado, às 19h30

Ingresso: R$ 40 

Informações: (21) 2563-4163

*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil