Urso de Ouro de Berlim vai para a Romênia

O filme brasileiro Hélio Oiticica ganha  prêmio da crítica internacional 

Child’s pose, de Calin Peter Netzer, da Romênia foi o grande  vencedor do Urso de Ouro.  O filme –  que também ganhou o prêmio da crítica internacional (FIPRESCI) – é sobre uma mulher da elite de Bucareste que tenta livrar o filho que atropelou e matou um adolescente de classe humilde. 

Chamado ao palco com sua equipe, Netzer disse: “Tentarei dizer algo, obrigado ao meu time e à Berlinale”, resumiu. 

A seguir, a produtora Ada Solomon agradeceu à equipe e, bem mais falante, disse que estava feliz por ver tantas mulheres produtoras na Berlinale.  “Os políticos romenos devem prestar mais atenção ao cinema feito lá. Às vezes eles esquecem a censura comercial que o cinema romeno sofre”, ressaltou.  

Dieter Kosslick, diretor do Festival de Berlim, deu início neste sábado (16.02)  à cerimônia de premiação da 63ª edição, recepcionando o júri da mostra oficial, presidido pelo cineasta chinês Wong Kar-wai. Muito aplaudido, Kar-wai descreveu o processo utilizado no júri e ressalvou: “Não estamos aqui para julgar ou criticar um filme”.

O primeiro prêmio anunciado foi o de melhor roteiro dado ao iraniano Jafar Panahi que não veio a Berlim porque está proibido pelas autoridades iranianas de sair do país.  O  cineasta foi representado pelo codiretor Kambozia Partovi. 

O Grande Prêmio do Júri, o segundo mais importante do festival, foi dado para  An episode in the life of an iron picker, de Danis Tanovic, que também levou o prêmio de melhor ator para Nazif Mujic. “Algumas boas coisas podem vir quando você fica bravo”, disse Tanovic. O filme é sobre a luta de um catador de ferro velho para conseguir uma cirurgia de emergência para a mulher.  

Vic and flo saw a bear, do franco-canadense Denis Côté, ganhou o prêmio Alfred Bauer (pelo trabalho inovador). “Estar ao lado de Kar-wai já é +um prêmio, dividirei ele com meu time em Montreal”, declarou Côté. 

O prêmio de melhor diretor foi  para o inglês David Gordon Green pela comédia dramática Prince avalanche

Paulina Garcia levou o prêmio de melhor atriz, por sua atuação em Gloria, de Sebastian Lélio. Garcia era uma das favoritas pelo extraordinário desempenho de uma mulher de meia idade em busca do amor e da felicidade. “Quero agradecer ao meu marido, aos meus filhos, a Sebastian e também à Berlinale”, disse a atriz, muito emocionada. 

O documentário brasileiro Hélio Oiticica, de Cesar Oiticica Filho, ganhou o Caligari Film Prize e o prêmio da crítica internacional (FIPRESCI), de melhor filme da Mostra Fórum. 

Flores raras, de Bruno Barreto, foi o segundo mais votado no Prêmio de audiência, conquistado por The broken circle breakdown, de Felix van Groeningen (Bélgica / Holanda).  

O prêmio Teddy Bear, de temática sexual, foi para In name of, de Malgoska Szumowska. 

Vencedores dos principais prêmios

– Urso de Ouro:   Child’s pose de Calin Peter Netzer, da Romênia

– Urso de Prata – grande prêmio do júri:  An episode in the life of an iron picker, de Danis Tanovic  

– Urso de Prata – melhor diretor:   David Gordon Green por Prince Avalanche 

– Urso de Prata – melhor ator:  para Nazif Mufic por  An episode in the life of an iron picker, de Danis Tanovic  

– Urso de Prata – melhor atriz: Paulina Garcia em Gloria  

– Prêmio de melhor roteiro: Jafar Panahi e Kambozia Partovi por Closed curtain 

– Prêmio Alfred Bauer – trabalho inovador (uma homenagem ao fundador da Berlinale):  Vic and flo saw a bear,  de Denis Côté

– Prêmio da Crítica Internacional (Fipresci) de melhor filme da mostra oficial: Child’s pose, de Calin Peter Netzer (Romênia) 

– Prêmio Teddy Bear – melhor filme de temática homossexual:  In name of, de Malgoska Szumowska. 

– Prêmio de audiência da Panorama Principal: The broken circle breakdown, de Felix van Groeningen (Bélgica / Holanda) 

– Prêmio de audiência da Panorama Documenta: The act of killing, de Joshua Oppenheimer(Dinamarca / Noruega / Grã Bretanha) 

– Urso de Cristal da Generation 14 Plus –  Baby blues de Kasia Roslaniec (Polônia) 

– Urso de Cristal da Generation K Plus – The rocket, de Kim Mordaunt (Austrália)

– Melhor curta-metragem: La fugue, de Jean-Bernard Marlin 

Uma programação abrangente 

Desde as edições anteriores, a Berlinale vem se engajando numa grande variedade de projetos para o futuro –  incluindo residências de artistas, iniciativas de financiamento e o Talent Campus, um curso para cineastas emergentes – e nesta 63ª edição não foi diferente. 

Na programação de filmes, o festival manteve o viés social e político que caracteriza sua seleção. Nesse sentido, esta edição foi também, mais uma vez, marcada pelo apoio em prol de Jafar Panahi que tem sido impedido de trabalhar e viajar pelas autoridades iranianas. 

Mas as inciativas de protesto para Panahi não foram somente  da Berlinale. Antes da sessão de gala de Closed curtain – dirigido por ele e Kamboziya Partovi e ganhador do prêmio de melhor roteiro – os que o apoiam exibiram, na frente do Palácio dos Festivais, um enorme cartaz com recortes do cineasta iraniano, encabeçado pelas palavras: “Eu deveria estar aqui”. 

Sem título concorrente ao Urso de Ouro, o Brasil não fez feio. Teve casa cheia nas sessões de Flores raras, de Bruno Barreto, que integrou a Panorama e foi o segundo mais votado pela audiência. 

E também na Fórum com  Helio Oiticica, de Cesar Oiticica Filho. Além de levar para casa o Caligari Film Prize e o prêmio da FIPRESCI, o documentário sobre o artista plástico brasileiro, foi muito bem recebido, tanto na prévias para a imprensa,  quanto nas sessões de  público.