ASSINE
search button

Protestos pró Jafar Panahi agitam Festival de Berlim

Desde 2011 são realizadas homenagens pela liberdade do diretor iraniano

Compartilhar

Mesmo não estando em Berlim, o diretor iraniano Jafar Panahi, como de outras vezes,  tem sido motivo de atenções e comentários nesta  63ª edição do festival.  Desde 2011, a Berlinale vem liderando uma série de protestos e homenagens  em prol da liberdade do cineasta.  Naquele ano,  manteve vago seu lugar no júri para o qual havia sido convidado (e não pode deixar o país) e exibiu seus filmes em quase todas as mostras do festival, entre eles O balão branco, O circulo e Offside (Prêmio especial do júri em 2006).

Neste ano, mais uma vez, Panahi regressa  à competição da Berlinale com Closed curtain (Pardé),  realizado com Kambuzia Partovi, mostrado numa concorrida sessão prévia para a imprensa que antecedeu a noite de gala no Palácio dos festivais.  

O filme mostra duas pessoas fugindo: o homem com um cachorro e  uma jovem mulher que participou de uma festa ilícita nas praias do Mar Cáspio.  Ambos são agora prisioneiros numa casa sem vista no meio de um ambiente hostil. As vozes da polícia podem ser ouvidas à distância, mas também os sons calmantes do mar. Fica dúbio se estamos vendo foras da lei ou o homem e a jovem mulher são simplesmente fantasmas, criações da imaginação de um cineasta a quem não é mais permitido exercer o seu trabalho. 

O diretor entra em cena e as cortinas se abrem.  Uma situação absurda: dois personagens de um roteiro, ambos procurando e observando seu próprio diretor. 

Panahi está  proibido  pelo regime iraniano de realizar filmes durante 20 anos e, ao que consta, a sentença continua em vigor.  Em 2011, ele realizou Isto não é um filme, em colaboração com o documentarista Mojtaba Mirtahmasb.  Filmado clandestinamente e contrabandeado para fora do Irã, por ocasião do Festival de Cannes, desde então Isto não é um filme tem sido exibido mundo afora em mostras e festivais.

Coletiva

A coletiva após a projeção aconteceu com Partovi e a atriz Maryam Moghadam e,  mais uma vez, sem a presença do combativo Panahi. 

Respondendo a uma pergunta sobre  as cenas com o cachorro  –  já que a lei islâmica classifica o animal como sujo e proíbe que as pessoas o possuam – Partovi disse que há uma filmagem de um amigo comum sobre o sacrifício desses animais.

“É um documentário sobre o assunto e ele nos cedeu”, contou o co-diretor, explicando também  o significado de uma chave que, volta e meia, aparece no filme. “Eu me tranquei para dentro ou para fora? Quem é o invasor na minha vida? No filme, o mundo está preso lá fora. Pode ser um sonho, podem ser pensamentos íntimos. O simbolo da chave é esse”, revelou Partovi, deixando claro que ela metaforiza a situação que ele e outros cineastas iranianos vivem no País. 

Sobre o tempo de convivência com Panahi, Partovi contou que o relacionamento entre os dois é bastante antigo. “Vem desde 1979. Nos conhecemos quando eu estava começando  a carreira  e realizando  meu primeiro trabalho”, revelou o co-diretor, com um misto de orgulho e emoção.