Crítica: "O último desafio"

Arnold Schwarzenegger volta às telonas

Se o segundo homem do tráfico nas Américas escapa do corredor da morte por via de um alucinado plano de fuga que não consegue ser interrompido nem pelo FBI nem pela SWAT, quem resolverá o problema? Claro! Arnold Schwarzenegger. O ex-governador da Califórnia volta ao lugar de protagonista no longa de ação O Último Desafio, do sul-coreano Kim Jee-Woon, que estreia, no Brasil, no próximo dia 18, orçado em US$50 milhões.

Na trama, Schwarzenegger vive o xerife Ray Owens, responsável por uma daquelas cidadezinhas de interior onde o acontecimento mais excitante ainda são os gatos presos em árvores. No seu dia de folga, Ray recebe uma ligação do chefe do FBI (Forest Whitaker) dizendo que Gabriel Cortez (Eduardo Noriega), em sua escapada, se direciona para a tal cidadezinha onde pretende cruzar a fronteira com o México. É o suficiente para que o xerife convoque o seu “exército de Brancaleone” formado por um delegado covarde (Luis Gusman), uma delegada em início de carreira (Jaimie Alexander), um “louco” colecionador de armas (Johnny Knoxville) e um detento (Rodrigo Santoro).

A sinopse é absolutamente simples e, até, óbvia, mas os roteiristas, Jeffrey Nachmanoff e Georg Nolfi, souberam criar ganchos muito certeiros e alguns diálogos memoráveis. Jee-Woon, por sua vez, imprime ao filme o ritmo frenético esperando num filme de ação sem, contudo, perder o tempo do bom humor – presente, fortemente, em todo o filme – e da apreciação das imagens (repletas de tiros, explosões, perseguições em alta velocidade e lutas corporais).

O elenco consegue se aproveitar com eficiência dos personagens estranhamente carismáticos propostos pelo roteiro nos oferecendo tipos e caracterizações muito interessantes com lugar, inclusive, para as citações aos clássicos westerns – fato que se estende às locações, a alguns enquadramentos, à trilha sonora, aos figurinos, ajudando na elaboração de um quase “outro tempo e lugar”, em contraponto com a efervescente Los Angeles com seus arranha-céus desvendados pelas panorâmicas aéreas. Voltando, rapidamente, ao elenco: vale notar a definitiva presença de Santoro na indústria hollywoodiana; o ator experimenta uma carreira com passos cada vez mais firmes, e com qualidade de interpretação pulsante.

O filme foi duramente criticado pelo conservadorismo americano que ainda sofre com a lembrança do recente atentado à escola Sandy Hook que resultou na mudança da opinião pública acerca da venda de armas de fogo. É, em certa medida, compreensível o “nariz torcido”, todavia, é imprescindível que se continue fazendo cinema – e qualquer manifestação de arte – sem concessões, até mesmo para que se possa discutir questões. O Último Desafio não se pretende um filme de discussões éticas, é, isso sim, um ótimo filme de ação; querer encontrar nele motivos políticos para endossar esta ou aquela opinião ou mesmo qualquer brecha para um entrave de ideias mais sérias é, para também citar o povo, “buscar chifre em cabeça de cavalo”.

Em suma, O Último Desafio, além de um filme eficiente, é o retorno da lenda Schwarzenegger aos primeiros letreiros dos longas, no bom e velho estilo “pouca fala e muito tiro”, afinal, o ex fisiculturista nunca foi um talento dramático, mas tem a seu favor uma legião de fãs dos mais de 30 filmes que firmaram seu nome como um dos principais do gênero.

Cotação: *** (Ótimo)