Anima Mundi completa 20 anos encantando diversas gerações

Diversos tradicionais espaços culturais da cidade, como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a Casa França-Brasil e o Centro Cultural dos Correios, acostumados a receber eventos convencionais, mudaram provisoriamente de cara. Tudo por conta do Anima Mundi,  um dos maiores festivais de animação do mundo, que agita a cidade até o dia 22 de junho. A nova paisagem inclui cores, olhares de encanto e muitas crianças.

Todo o encantamento é provocado pelo contato, muitas vezes inédito, com o mundo mágico dos desenhos animados. E, se era esperado que somente os mais jovens apreciassem as atrações, o festival acaba atraindo gente de todas as idades, pelos mais diferentes motivos. É o caso da professora de Biologia Cristina Gonçalves, que foi curtir as atrações ao lado do marido Vladimir Rats:

"Já vim em várias edições. Dentro da área da educação, aprendi muito com o que vi aqui e apliquei com meus alunos. Este ano, vou agendar para que eles possam vir até aqui e participar das oficinas", relata.

Erica Codeço é outra adulta que faz questão de acompanhar o evento, que completa vinte edições, há vários anos:

"Eu venho todo ano já há umas cinco edições. Adoro animação, sempre acompanho as novas tendências. Eu tenho um filho, mas deixei ele em casa", brinca.

Mas, na maioria das vezes, são as crianças que dominam os ambientes. É o caso de Luis Eduardo Caroli, que levou os cinco filhos para acompanhar as atividades. Segundo ele, com tantas atrações, fica difícil controlar a criançada:

"É um programa bem legal, cultural, né? Sempre trago os meus filhos. Gostamos muito dos curtas. É uma coisa diferente para eles fazerem no fim de semana, foge de praia e shopping", argumenta.

Proximidade com o público

O Anima Mundi é um momento especial também para os profissionais da indústria de animação, que atuam como monitores nas oficinas. Acostumados a permanecer no anonimato, eles vivem uma experiência diferente ao lidar diretamente com o público:

"Trabalho com animação desde a adolescência e acompanho o festival há muito tempo", explica, enquanto termina uma sequência de desenhos que vai parar no zootrópio, um aparelho inventado no século XIX para animar desenhos. "É muito interessante esse contato, podemos testar a reação do público em tempo real", completa.

Por outro lado, a fascinação das crianças a passarem ao papel de criadores e construírem seus próprios desenhos animados fica explícita em cada sorriso. Os amigos, Julia, Bento, Guillermo, Rafael e Luis, todos de 10 anos, e a caçula Paula, de 7, fizeram um curta usando massinha, com a técnica stop motion:

"A gente já fez um zilhão [de desenhos], foi muito legal. Não achava que era tão fácil, mas é bem legal quando se tem amigos. Vamos querer fazer mais", afirma Julia.