Ministra da Cultura, Ana de Hollanda lamenta morte de Tinoco

"O Brasil perde um dos artistas mais representativos da sua cultura popular", abriu a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, em sua nota de pesar sobre a morte do músico Tinoco, que ocorreu na madrugada desta sexta-feira (4).

"Tinoco formou com o irmão Tonico uma das mais marcantes duplas sertanejas do País. Por meio deles, o folclore do interior de São Paulo e de parte de Minas rompeu as barreiras e influenciou todo um segmento musical, que atualmente tem representantes nos quatro cantos desta Nação", continuou Ana.

A ministra ainda pontuou como a dupla disseminou as tradições do interior, com os sonhos e dores do chamado "caipira": "um intuitivo, um sabedor das manhas da terra e dos homens. Daí porque as homenagens nas modas de viola", completou, ao falar sobre o prêmio Ordem do Mérito Cultural, que Tinoco recebeu em 2010. "Reconhecimento a uma arte despretensiosa, mas brilhante, profunda e original. Neste momento de dor, me solidarizo à família, amigos e admiradores de Tinoco", finaliza Ana.

Carreira

Tinoco formou uma das duplas sertanejas mais famosas e respeitadas do País ao lado do irmão mais novo João Salvador Perez, o Tonico, ainda nos anos 30.

Com a paixão pela música herdada dos avós maternos, Olegário e Izabel, Tonico e Tinoco começaram a carreira em 1930, quando moravam em Botucatu, no interior de São Paulo. A primeira apresentação profissional aconteceu cinco anos mais tarde, junto com um primo, em show em uma quermesse local.

Em 1941 a família se mudou para a capital paulista e, devido às dificuldades financeiras, começaram a fazer apresentações aos finais de semana, ao lado de Raul Torres Florêncio, como o trio Os Três Batutas do Sertão.

Increveram-se em um programa de calouros na Rádio Emissora de Piratininga, chegando à final do concurso, quando foram aplaudidos de pé pelo público. Outros violeiros da competição também se emocionaram e cumprimentaram a dupla que já dava sinais de sucesso.

A partir daí começaram a colher os frutos e, no início da década de 50, já eram considerados um dos maiores nomes da música sertaneja no País. Nos anos 60, realizaram quase mil gravações, dividas em 83 álbuns. A dupla teve fim com a morte de Tonico, em 1994.