Bienal premia obras difíceis de ser encontradas em livrarias

O brasiliense que quiser ler alguma das seis obras vencedoras do Prêmio Brasília de Literatura vai ter que encomendá-la e aguardar de sete a 15 dias para recebê-la, ou então torcer para que o prêmio desperte maior atenção das livrarias da capital federal. Entre os seis títulos premiados, apenas um é facilmente encontrado.

Hoje, na melhor das hipóteses, em apenas uma livraria das consultadas os primeiros interessados conseguiriam encontrar ao menos cinco dos seis livros premiados. Como boa parte das lojas pertence a poucas grandes redes de livrarias, o cliente com maior interesse e disposição teria que ir pessoalmente a diferentes lugares ou esperar que os livros espalhados por várias unidades de uma mesma rede fossem reunidos.

É o caso, por exemplo, do vencedor na categoria romance, Diário da Queda, de Michel Laub, à venda em apenas duas das nove lojas que duas grandes redes detêm na cidade. Vencedor da categoria poesia, Sísifo Desce a Montanha, do escritor Affonso Romano de Sant'Anna, é o título mais difícil de encontrar, disponível em apenas uma das livrarias consultadas por telefone. O que reforçaria a tese de que editoras e livrarias demonstram pouco interesse pela poesia, apontada como um gênero de, salvo raras exceções, pouco apelo comercial.

Já o vencedor na categoria reportagem, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, do jornalista Fernando Morais, foi o único premiado encontrado em todas as livrarias consultadas. O Prêmio Brasil de Literatura também reconheceu a biografia Fernando Pessoa - Uma Quase Biografia, de José Paulo Cavalcanti; o livro de crônicasMeio Intelectual, Meio de Esquerda, de Antônio Prata, e Sortes de Villamor, de Nilmar Lacerda, na categoria infanto-juvenil.

Devido à política de descontos de cada livraria, os preços informados à reportagem variaram.