Cao Hamburger fala sobre o longa 'Xingu' no festival de cinema de Berlim

Hamburger fala do seu filme, selecionado para a Panorama

BERLIM - O paulista Cao Hamburger está de volta ao palco da Berlinale, desta vez para apresentar  Xingu, selecionado para a mostra Panorama Principal, a paralela mais importante do evento iniciado no último dia 09. Em 2007 Hamburger esteve aqui como candidato  ao Urso de Ouro com O Ano em que meus pais saíram de férias

Seu novo filme acompanha  a trajetória dos irmãos Villas-Bôas, pioneiros na proteção dos índios no Brasil. Passado na década de 1940, segue  Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas (interpretados por Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat, respectivamente) que se juntaram às expedições organizadas pelo governo brasileiro para desbravar o interior do país.  Acabaram tendo suas vidas transformadas pelo contato com tribos indígenas e tiveram papel importante na criação do Parque Nacional do Xingu.

Produzido pela O2 de Fernando Meirelles e com o ótimo roteiro de Elena Soarez,  a produção está orçada em cerca de R$ 14 milhões. Xingu não concorre aos Ursos de Ouro e Prata,  mas compete pelos  prêmios de audiência,  da crítica internacional (Fipresci)  e  da  Confederação Internacional de Cinemas de Arte.

Prêmios, no entanto, não estão nas prioridades do diretor. Em entrevista ao  Jornal do Brasil, Hamburger lembrou que mesmo quando foi selecionado para a mostra oficial, tinha uma expectativa baixa em relação a ser premiado.

“Berlim é o segundo melhor festival do mundo, só de ter sido selecionado é muito bom para o filme e para a carreira de todo mundo envolvido. Se os prêmios vierem serão bem vindos, mas é apenas alguma coisa mais em algo que já é muito bom”, afirmou o diretor que,  embora muito feliz de estar aqui, não ficou surpreso com a seleção.

“É que não houve muito suspense. Eles convidaram  o filme no final do ano e ficou pendente apenas se seria para a competitiva ou para a Panorama. Posteriormente informaram que a história de Xingu tinha mais a ver com a grade da Panorama e o incluíram na paralela”, contou.

Para Hamburger, exibir o filme numa mostra conhecida por privilegiar filmes com viés social é uma oportunidade para apresentar a outras culturas o trabalho dos Villas Boas.

“Eu mesmo nunca havia me aprofundado muito no universo dos índios brasileiros e tampouco na vida dos irmãos Villas Boas, mas assim que tive os primeiros contatos, fiquei totalmente tomado pela riqueza da história. A vida deles é incrível, bela, dramática, emocionante e cheia de aventura”, ressalta destacando como foi gratificante, tanto para ele quanto para a equipe,  participar do projeto.  

“ A cultura e filosofia dos povos que os Villas Boas encontraram, e que estava por aqui antes de Cabral, os encantaram tanto que sua sobrevivência passou a ser a causa da vida deles. Para mim, conhecer um pouco dessa história foi um verdadeiro presente”, ressalta. 

Além da sessão na Panorama, Xingu também está no Mercado Europeu de Cinema (eventos de negócios que ocorre dentro do festival). A participação faz parte da estratégia de distribuição do filme. 

“No momento, o foco é tentar levar o filme para outros festivais.  Queremos participar de eventos nos Estados Unidos, provavelmente iremos à Tribeca.  Xingu tem estreia nacional prevista para abril, mas esperamos distribuir o filme em vários países, enfim queremos mostrá-lo para o máximo possível de espectadores”, diz Hamburger, que tem uma alta expectativa de retorno com a seleção  na Berlinale.

“Berlim é um ótimo começo para a carreira do filme, tanto no exterior quanto para o mercado brasileiro. Isso aqui é a elite do cinema mundial, não  poderia estar em melhor lugar”, afirma, revelando que Berlim também vai ser uma oportunidade de sentir como questões  relacionadas com índios brasileiros são recebidas fora do Brasil, já que também será tema do seu próximo projeto.

“Estou trabalhando no roteiro de Isolados, em parceria com a documentarista Maíra Buehler. É um filme de ficção que aborda a questão dos grupos indígenas brasileiros que permanecem em isolamento ainda nos dias de hoje”, antecipa.