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Ivo Pitangu: Troféu Jornal do Brasil lembra dos que lutam pelos semelhantes

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Os elogios ao uso da ação do tempo como inspiração e produto da arte de Christina Oiticica foram unânimes na noite desta quarta-feira (25), quando uma belíssima cerimônia e uma exposição selaram a entrega dos troféus Jornal do Brasil de Cultura. Os contemplados foram o acadêmico da Academia Brasileira de Letras e presidente do CIEE Arnaldo Niskier, o curador da Fliporto Antônio Campos, a artista plástica Christina Oiticica, a presidente da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado, a ministra da Cultura, Ana de Holanda, e o cirurgião plástico Ivo Pitanguy.

"Conheço Christina há bastante tempo, e percebo um progresso constante em seu trabalho. Uma parte de sua exposição eu já havia visto na Suécia", disse Pitanguy. "Ela sempre procurou enriquecer o seu belíssimo trabalho com algo diferente que vem da terra, este é seu diferencial, diante dos outros artistas plásticos", elogiou no cirurgião, fazendo referência a uma etapa do trabalho de Oiticica, que consiste em enterrar suas telas em terras do mundo afora para depois desenterrá-las e expô-las com as modificações feitas pela própria natureza.

Para Pitanguy, que também é membro da Academia Brasileira de Letras e, como cirurgião, costuma dedicar parte de seu tempo a pessoas carentes, prêmios como o oferecido pelo Jornal do Brasil incentivam aqueles que lutam pelo bem-estar do próximo. 

"O bom de receber este prêmio do Jornal do Brasil é ter a certeza de que há alguém lembrando das pessoas que lutam pelo seu semelhante", opinou, acompanhado de sua irmã, a socióloga Jaqueline Pitanguy. 

Daniel Azulay

O desenhista Daniel Azulay, que confessou conhecer pouco os trabalhos de Oiticica, afirmou ter ficado extasiado ao acompanhar as peças da exposição. Para ele, os 54 quadros e nove quimonos expostos por Christina representam a importância da intervenção da natureza nas obras de arte. Já a artista da noite disse que se surpreende ao retirar cada uma de suas obras da terra:

"A maneira como os quadros ficam depois da ação da natureza é sempre uma surpresa para mim. Às vezes a terra fica com uma parte do meu trabalho ou até todo ele. Fico muito emociada. Fico muita agradecida ao Jornal do Brasil pelo reconhecimento e pelo espaço que estou recebendo deste veículo que fez parte da minha infância", sentenciou Oiticica.