Procurando personagens para um projeto de uma revista italiana de que estava participando, o cineasta Fernando Grostein Andrade descobriu Paulo Eduardo, protagonista de uma história que, segundo ele, tem muito em comum com o filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore.
"Eu precisava encontrar pessoas que tivessem levado um tiro e tivessem transformado essa experiência em algo bacana para a sociedade. Aí descobri o Paulo no Instituto Criar (projeto social de Luciano Huck, irmão de Fernando) e fiquei encantado, porque era uma espécie de Cinema Paradiso na periferia de São Paulo", conta ele. "Então decidi filmar essa história."
O resultado é o curta Cine Rincão, que conta a história de Paulo Eduardo, um jovem morador de Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Ele sobreviveu a um tiroteio em um bar e, depois disso, com o apoio do Instituto Criar, fundou o Cine Rincão, uma sala de cinema voltada para as crianças da periferia.
"Nós, cineastas, sofremos com um problema, que é a falta de salas de cinema na periferia. Simplesmente não existem opção de lazer. E a atitude do Paulo é um bom protesto, uma boa tentativa de mudar essa situação", diz Fernando, que também dirgiu Quebrando o tabu, um documentário sobre o combate às drogas que teve participação de Fernando Henrique Cardoso.
Em Cine Rincão, o diretor optou por usar atores com a narração de Paulo Eduardo ao fundo. "Fiz isso para deixar a história mais envolvente, para que as pessoas pudessem entender e apreciar melhor o trabalho dele, já que tudo aconteceu há mais de dez anos e eu não teria como recuperar isso. E não gosto de documentários com 'talking heads', aquelas cabeças falantes diante da câmera", explica Fernando.
Depois de Cine Rincão e Quebrando o tabu, Fernando tem planos de partir para a ficção. "Estou trabalhando em uma comédia familiar e em um filme de suspense", revela.