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Brasileiros avaliam a participação do país no festival Stage Fest

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Franz Valla*, Jornal do Brasil

NOVA YORK - A quarta edição do Stage Fest, festival anual de teatro ibero-latino de Nova York, encerrada nesta quarta-feira, incluiu pela primeira vez participações brasileiras: a companhia Pia Fraus, de Beto Andretta e Beto Lima, que trouxe o espetáculo infantil Bichos do Brasil, e o workshop conduzido por Ricky Seabra sobre aplicação de técnicas multimídia no teatro. A ideia do Stage Fest foi incentivada pela prefeitura de Nova York quando, em 2003, foi criada a NYC Latin Media & Entertainment Commission. O então comissário Jose Fernandez percebeu que havia uma omissão do teatro latino no cenário artístico da cidade, o que serviu de estímulo para a criação do Latino International Theater Festival of New York City Inc., organização sem fins lucrativos que promove o Stage Fest desde 2007.

A diretora executiva do festival, Susana Turbet, explica por que o Brasil foi incluído na mostra:

Eu queria apresentar produções brasileiras desde a primeira edição do festival, mas faltou oportunidade para avaliar trabalhos que pudessem ser trazidos. Ano passado estive no Brasil e tive chance de ver o que anda acontecendo no cenário teatral. Decidimos trazer a Pia Fraus, devido ao seu caráter folclórico, e também o Ricky Seabra, que está revolucionando o teatro com técnicas multimídias. O Brasil, com certeza volta no proximo ano.

Beto Andretta, que ao lado de Beto Lima fundou e dirige a companhia Pia Fraus, ressaltou a importância dessa participação do grupo no festival.

Já havíamos nos apresentado sete vezes nos EUA, mas é a primeira vez em Nova York destaca Andretta. O público daqui é mais exigente, mas reagiu igual às plateias do resto do mundo, ou seja, com muito entusiasmo. Tivemos a oportunidade de apresentar Bichos do Brasil em uma sala no Museu del Barrio e ao ar livre, no zoológico do Queens, onde tanto as crianças como os adultos gostaram muito. Esperamos voltar aqui muitas vezes.

Ricky Seabra traria ao evento a peça Isadora.orb, que inclui dança e artes plásticas, mas as apresentações foram canceladas devido ao atraso na obtenção do visto de Andrea Jabor, sua parceira no espetáculo.

Na verdade, eu queria era trazer a o espetáculo Aviões e arranha-céus, sobre a tragédia do 11 de Setembro, mas em cima da hora ela foi vetada porque a American Airlines é um dos patrocinadores do festival e não acharam de bom tom comenta o ator, irmão do vocalista da Plebe Rude, Philippe Seabra. Por isso decidi trazer Isadora.orb, mas para isso teria que vir com a Andrea Jabor e ficou muito em cima pra obter o visto correto para ela.

Arte no espaço

Isadora.orb foi concebida a partir de sua experiência pessoal ao concluir o mestrado em desenho industrial na Holanda. Sua tese de formatura era uma proposta para a Nasa para que fosse criado um módulo na estação espacial internacional onde artistas pudessem desenvolver várias disciplinas artísticas. Na peça, juntamente com Andrea, ele conta histórias, dança e desenvolve soluções com auxílio de artes plásticas.

Costumo dizer a todos que não sou ator e nem dançarino, mas gosto do formato atribuído ao teatro observa Seabra. Temos o público de um lado, no escuro da sala, e do outro este quadrado onde posso me expressar. Apesar de minha formação original ser em design, o que eu faço mesmo é teatro.

*De nova york, especial para o Jornal do Brasil.