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Carlinhos Brown abre o projeto de um museu dedicado à cultura negra

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Alessandra de Paula, JB Online

RIO DE JANEIRO - Carlinhos Brown é um artista inquieto, que transita por vários estilos. Poucos nomes seriam mais adequados do que ele para abrir a sexta edição do festival Multiplicidade, que começa nesta quinta-feira no Oi Futuro do Flamengo. Ao lado do músico, o diretor de arte Gualter Pupo e o Núcleo de Design Arterial mostram, no palco, seus trabalhos de experimentação com novas linguagens. O evento já virou referência para quem gosta da mistura, muitas vezes inusitada, entre arte e tecnologia. Brown ainda não sabe exatamente o que vai apresentar, mas está empolgado com a oportunidade.

Vou fazer um show case e está sendo bem gostoso ensaiar comenta Brown. Conheço o Pupo há 20 anos, ele é um dos grandes talentos do Brasil. É muito interessante participar de um projeto como este, quando estou buscando novas formas de expressão.

Uma das novas formas de expressão a que Brown se refere é a pintura. Há quatro anos ele tem se aventurado entre telas e tintas, mas ainda não se arrisca a mostrar o resultado para o público.

Nem eu conhecia direito este meu lado. Estou pintando em casa, normalmente telas grandes, de 6 a 10 metros detalha o músico. Os amigos e marchands que viram, gostaram, mas ainda é uma coisa muito pessoal.

Brown está finalizando um novo álbum, que deve ser lançado no segundo semestre, com repertório de músicas autorais. O CD foi um dos completados pela Natura Musical, edital lançado pela empresa de cosméticos e que neste ano garantiu a realização de 130 projetos. Uma das canções, Pestaneja, evoca os sons do sertão nordestino. Mas Brown garante que esta vertente musical não vai direcionar o trabalho.

O disco não é de música sertaneja, e, de qualquer forma, eu não gosto de rótulos frisa Brown. Nossa música nordestina tem acentos árabes e orientais, características muito mais fortes do que qualquer levada country .

Afeito a parcerias a mais famosa, com os amigos Arnaldo Antunes e Marisa Monte, rendeu o bem-sucedido disco Tribalistas, de 2002 o artista está trabalhando com Rodrigo Chá e Fernando Neiva em um novo disco, batizado de Afro two Brasil, que deve sair do forno em 2011. Está sendo uma delícia tocar com estes dois cariocas. Vai ser um trabalho muito para cima, positivo, mostrando para o mundo a nossa alegria adianta o baiano.

Dedicação ao Museu du Ritmo

Não é difícil descobrir o paradeiro de Brown quando ele não está em estúdio. Ele certamente está cuidando de um dos projetos que lhe dão mais orgulho, o Museu du Ritmo, em Salvador. Ocupando as antigas dependências do Mercado do Ouro, na Cidade Baixa, o espaço, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), abriga projetos de diversas áreas.

Além dos eventos que já acontecem no local, nossa ideia é criar dentro do museu o Centro da Música Negra, com acervos para consulta pública destaca Brown. Encontrei um grande arquivo que estava se deteriorando, com shows históricos de artistas com Elis Regina, Caetano, e no momento estamos limpando as fitas. Tem muita gente na Bahia envolvida com o Museu du Ritmo, e acho que é assim que tem que ser, trabalhar junto, para deixar um registro para as futuras gerações.