Autor de filmes fortes, Kurosawa é o mais aclamado diretor japonês

Da Redação, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Reconhecido como nenhum outro cineasta de seu país, o japonês Akira Kurosawa (1910-1998) foi reverenciado por gerações inteiras de cineastas que vieram depois. Parte dessa admiração pode ser entendida ao se acompanhar a retrospectiva que o Instituto Moreira Salles preparou sobre Kurosawa, a mais generosa das homenagens brasileiras no centenário do realizador, que fica em cartaz no centro cultural da Gávea até 9 de abril. Além de reunir 22 títulos dirigidos pelo cineasta ao longo de quase 50 anos de carreira, a programação inclui dois documentários sobre o cineasta e sua obra: Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles que escreveu um texto exclusivo para o Jornal do Brasil sobre sua admiração pelo diretor nipônico e A.K. Retrato de Akira Kurosawa (1985), do francês Chris Marker. Salles participará de um debate após a projeção de seu documentário no dia 26, que começa às 19h.

Francis Ford Coppola, George Lucas, Steven Spielberg e Martin Scorsese são alguns dos nomes que trazem a oportuna experiência profissional com Kurosawa em sua bagagem. Foram os três últimos, por sinal, que conseguiram levantar apoio para que o autor de Os sete samurais (1954) que, se estivesse vivo, completaria 100 anos nesta terça-feira, pudesse realizar Kagemusha, a sombra do samurai (1980), e Sonhos (1993).

Gênio da composição

Referência obrigatória da cinematografia universal e um dos mais premiados diretores da história do cinema, Kurosawa era um gênio da composição visual. Demonstrava em seu trabalho suas origens como desenhista e pintor, fazendo storyboards de suas produções, prática à qual manteve-se fiel até o fim. A influência desta arte é evidenciada em seus filmes de fortes matizes, como Dodeskaden (1970), Dersu Uzala (1974), Kagemusha (1978, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes), e Ran (1984), todos na mostra carioca. O IMS exibirá filmes marcantes como Rashomon (1950), que tornou Kurosawa mundialmente conhecido, depois de conquistar o Leão de Ouro do Festival de Veneza para, na sequência, ganhar o Oscar de Filme Estrangeiro. Seus filmes inspirados em Shakespeare também estão na mostra, como Ran (1985), bas eado em Rei Lear, e Trono manchado de sangue (1957), a partir de Macbeth.

Em cartaz

Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea (3284-7400). Terça-feira 14h: Escândalo (Japão, 1950. 1h44. Digital. 14 anos). 16h: O idiota (Japão, 1951.2h46. Digital. 16 anos). 19h: Japão, uma viagem

no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles (Brasil, 1986. 1h. Digital. Livre). 20h: Rashomon (Japão, 1950, 1h28. Digital. 16 anos).

Programação completa em https://ims.uol.com.br/Cinema/D9 R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia).

Até 9 de abril.