Franz Valla, Jornal do Brasil
NOVA YORK - De todas as grifes a desfilar seus modelos na Mercedes-Benz New York Fashion Week, uma marca com os convites mais disputados pelo público é justamente a única que não apresenta glamurosos vestidos de noite ou peças de roupas cujos preços podem chegar à estratosfera. A francesa Lacoste lotou o Bryant Park no fim de semana para mostrar peças selecionadas de sua coleção outono-inverno, incluindo apenas roupas casuais e esportivas, mas essencialmente sofisticadas, fazendo jus à tradição da marca.
Peaches Geldof, filha do roqueiro e ativista inglês Bob Geldof, ela mesmo uma modelo nas horas vagas, estava na primeira fila e não escondia o entusiasmo:
Esta é uma marca que tem tudo a ver comigo. Vou a todos os desfiles e não poderia perder este.
Fidelidade ao design original
Além das jaquetas de lã e fleece para homens, foram apresentadas diferentes variações da emblemática camisa polo da casa em modelos femininas. Haviam versões dela em modelos curtos, como um top feminino, ou alongados, como um minivestido, e até como uma manta, com direito a capuz. A opção de cores vivas e constrastantes, como púrpura sobre verde-musgo ficaram mais sofisticadas ao ser aplicadas ao fleece tecido usado pela grife desde os anos 60 devido à tonalidade fosca que o material consegue reproduzir.
O grande triunfo da marca, aos 77 anos de existência, desde que foi criada pelo tenista francês René Lacoste, é justamente se manter fiel ao design original de décadas atrás ao mesmo tempo em que se reinventa. O minimalismo da obra formou gerações de admiradores, o que garante, e explica, a longevidade da grife. Numa época em que todos os produtos de consumo (ou suas cópias) são fabricados na China, a marca continua aplicando seu padrão de qualidade no uso de tecidos e design nas mãos do diretor de criação Christohe Lemaire, a etiqueta atesta que os produtos são mesmo feitos na França. Ao fim do desfile, Lemaire falou do seu trabalho nessa coleção e sobre a marca:
Eu queria modernizar um pouco o visual da nossa icônica camisa polo, por isso a esticamos, encurtamos e tentamos adaptá-la para o casual tambem para as mulheres. É mais fácil fazer coisas divertidas para as mulheres usarem do que para os homens, dai a facilidade em se criar variações do nosso carro-chefe.
Para finalizar, Lemaire definiu em poucas palavras a perenidade da casa a que serve como estilista.
Não conheço nenhuma marca como a nossa, que consegue estar alinhada ao nível das casas de alta costura mundiais sem necessariamente produzir peças formais destaca. A Lacoste faz sucesso por incorporar a funcionalidade americana a elegância europeia e se isso tem dado certo até hoje quer dizer que vai dar certo pelos próximos 80 anos.