Da Redação, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Frank Wedekind (1864-1918) certamente não está entre os autores mais montados no teatro brasileiro, mas não passa invisível aos olhos de atores e diretores. Basta lembrar da montagem de O despertar da primavera, que batizou um dos mais importantes grupos jovens da virada da década de 70 para a de 80, o Pessoal do Despertar, composto por nomes como Miguel Falabella, Daniel Dantas, Zezé Polessa, Fabio Junqueira (1956-2008), Clarice Niskier e pelos fundadores Paulo Reis e Maria Padilha. A via-crúcis de jovens reprimidos por padrões de comportamento retrógrados, retratada pelo dramaturgo em 1891, voltou à tona recentemente no musical de Charles Möeller e Claudio Botelho, apropriado da Broadway. Lulu também já recebeu mais de uma visita no Brasil, cabendo evocar as montagens de Naum Alves de Souza, que trazia Maria Padilha no elenco, e de Márcio Meirelles.
O texto tem uma estrutura fragmentada. Poderíamos mudar a ordem das cenas sem alterar o produto final assegura a ator Marcelo Olinto.
A afirmação traz à tona outro texto célebre o inacabado Woyzeck, de Georg Büchner ainda que Lulu tenha sido estruturado em cinco atos.
Büchner serviu de fonte de inspiração para Frank Wedekind diz o ator César Augusto.
Vale dizer que não são poucos os registros que apontam para a relevância de Wedekind no teatro de Bertolt Brecht e que o Pessoal do Despertar seguiu essa trilha, encenando, após O despertar da primavera, Happy end, de Brecht e Kurt Weill.
Escrito, em boa parte, em Paris, Lulu é frequentemente montado na Alemanha, muitas vezes, porém, a partir de padronizações.
Algumas encenações se baseiam na correspondência entre uma atriz específica e a figura de Lulu. Mas eu questiono este critério. Até porque há algo além de Lulu: os personagens masculinos em torno dela, que são bem interessantes sublinha a diretora Nehle Franke.