Sthephani Dantas, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - O público carioca deve agradecer a Lia Rodrigues pela exposição de Gérard Fromanger no Museu de Arte Moderna, cuja abertura acontece na próxima sexta feira. Foi a bailarina que apresentou o artista, com quem havia trabalhado na Bélgica, a Luiz Camilo Osório, curador do MAM, há dois meses atrás, quando a mesma exposição estava em cartaz em Brasília. Osório, que já conhecia o trabalho de Fromanger, convidou-o a trazer seus trabalhos para o Rio antes que retornassem a Paris. O curador considera esse o melhor momento para expor essas obras, já que o diálogo com as de Carlos Vergara, atualmente expostas no MAM, seria enriquecedor para o público.
Creio que essa conversa tem um sentido, já o Fromanger é da nova figuração francesa, e o Vergara da brasileira comenta Osório, referindo-se ao movimento artístico que buscava fazer um contraponto crítico e irônico a pop art americana dos anos 60. Eles se aproximam primeiro pelo interesse em recuperar a imagem, que só se via de maneira abstrata. Há também a volta de uma linguagem da cultura de massa e da propaganda, isto é, de uma comunicação imediata com o publico.
Francês nascido em setembro de 1939, em Jouars-Pontchartrain, Yvelines, Fromanger estudou na École des Beaux-Arts, em Paris, e atualmente se divide entre a cidade e Siena, na Itália. Para o curador, a temática das obras de ambos os artistas também é similar, principalmente nos trabalhos produzidos na década de 60, já que depois eles seguem por caminhos diferentes.
O viés político é muito forte na produção dos dois. As questões podem ser muito diferentes, mas ambos convocam para o fazer político. A imagem, se torna, portanto, um canal para conduzir a política diz Osório, que considera essa característica o que mais distancia a nova figuração da pop art.
A exposição, que ocupa o terceiro andar do MAM, terá um caráter panorâmico. Serão 60 obras dividas em séries e não em ordem cronológica. Há trabalhos desde 1962 até os mais recentes e inéditos. A mostra tem curadoria da francesa Anne Dary (dos Museus do Jura, nos Alpes Franceses) que reuniu trabalhos de diversos acervos importantes, como do Museu de Arte Moderna de Paris e do Centro Georges Pompidou, além da coleção do próprio artista.
Assim como Vergara (cujo trabalho mais antigo exposto também data de 1962, coincidentemente), Fromanger utiliza técnicas diversas, como colagem, gravura, fotografia e cinema, embora tudo convirja para a pintura.
O diálogo com a fotografia é muito frequente e nos últimos anos seus trabalho tem tido um viéis menos político e mais cromático, com toques de abstração, figuras em vermelho e jogos de linhas, levando a uma dimensão decorativa maior explica Osório.
Toda a evolução da arte de Fromanger será percebida através de séries como a da Revolução Francesa, a das ruas e a mais conhecida, dos retratos de filósofos e amigos como Felix Guattari, Gilles Deleuze, Michel Foucault e o cineasta Jean-Luc Godard. Duas telas de nove metros também estão expostas.