Camila Crespo, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - É um negócio que faz com que eu me sinta mais segura, mais feminina , diz ela, enquanto sorri para a foto em uma pose extravagante, com os dois pés fora do chão e os braços estendidos, suspensos num poste vertical. Christiane Vieira, publicitária, 33 anos, é uma das cariocas que começaram a se aventurar no pole dance. A atividade comum para as strippers de todo o mundo tem deixado os inferninhos (e os olhares inquisidores) de lado, e por que não? trilhado seu caminho como uma atividade de fitness para mulheres de todas as idades. Para aquelas que já se flagraram em frente ao espelho copiando a performance de Demi Moore no longa-metragem
Strip-tease, boa notícia: há academias e professoras especializadas espalhadas pela cidade. Algumas procuram como aula de aeróbica mesmo, para fugir dos exercícios chatos e monótonos da academia. Mas a maioria vem se preparar para uma data especial, apimentar o relacionamento, e acaba ficando. A verdade é que os namorados passam e elas continuam nas aulas , conta Vanessa Costa, presidente da Associação Carioca de Pole Dance.
Ela cita a atividade até como manifestação artística. Mas reconhece que, mesmo com a tentativa de profissionalização feita nos últimos anos, há ainda muito preconceito. Na verdade, nas minhas aulas eu foco mais o pole dance como atividade física. Nossos movimentos são mais acrobáticos do que sensuais. Infelizmente, as pessoas ainda confundem. Algumas alunas fazem aulas escondidas, com medo de serem recriminadas pelos pais e amigos. Pode reparar. São sempre os homens que encrencam , acrescenta Vanessa sobre o hipócrita tradicionalismo da sociedade brasileira, em contraste com nossa natural sexualidade .
Vítima de preconceito ou não, fato é que a atividade vem crescendo exponencialmente no país. Desde que Alzira, personagem de Flávia Alessandra na novela Duas caras (2008), dançou no queijo nome popular do palquinho das boates e virou fetiche dos homens brasileiros, a procura pelas profissionais só aumenta. Há um mês, a paulistana Rafaela Montanaro foi coroada campeã sul-americana do pole dance na Argentina e, com a vitória, irá representar a América do Sul no mundial em Londres, no ano que vem. Nos dias 12 e 13 de dezembro, o Rio ainda abriga o I Congresso Brasileiro de Pole Dance, que terá palestras, aulões e show no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca.
Scorpions, giros e inversões
Prova de que o pole dance está cada vez mais reconhecido como esporte foi a participação no Viradão Esportivo, evento da Prefeitura, há menos de um mês. A Associação Carioca marcou presença nos dois dias, levando ao público dois aulões grátis na Lapa e nas areias da Praia do Pepê. Quem passou por ali teve a surpresa agradabilíssima para os olhares masculinos de ver as belas mulheres fazendo scorpions, giros e inversões (algumas das mais requisitadas manobras da dança).
Mas não pense que é novidade. As ruas já estão acostumadas a estes tipos de estripulias. Uma das modalidades da dança é o Pole Dance Street. Vale tudo. Mastro de bandeira, postes, placas, barras de ônibus. Vanessa Costa admite que, nos horários inóspitos, o transporte público carioca é um dos melhores palcos. A meia dúzia de pessoas que está lá estranha. Mas sabe essa coisa de carioca? De fingir que não é nada demais? Então, ida e volta no metrô é pura diversão .
Para aquecer o namoro
As origens do pole dance vêm de práticas distintas. Enquanto uma corrente defende que a primeira manifestação está ligada à prática tradicional indiana do Mallakhamb, espécie de ioga praticada num poste de madeira e com cordas, outros explicam que seu nascimento oficial foi na Inglaterra dos anos 80, e não demorou muito para que ele chegasse a todos os cabarés europeus e nas artes cênicas também o badalado Cirque du Soleil é um dos que incluem performances de pole em suas apresentações mundo afora.
Para Karen Ferreira, gerente do sex shop A2 Ella que oferece aulas em Ipanema , se arriscar na prática do pole dance é tiro e queda para reconquistar e reaquecer o relacionamento que anda meio morno. Acaba caindo naquela rotina de sempre. Mas com aquelas manobras radicais todas, não há homem que resista. E não tem idade. Uma senhora de 50 anos teve aula aqui e se emocionou ao sentir que ainda podia seduzir o marido .