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Wilbert Hazelzet e Jacques Ogg interpretam Bach

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Sthephani Dantas, JB Online

RIO DE JANEIRO - O flautista Wilbert Hazelzet e o cravista Jacques Ogg, dois dos mais respeitados nomes da música barroca em todo o mundo, se apresentam na Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória, sábado. Juntos, os músicos já gravaram todas as obras de Johann Sebastian Bach e Carl Philipp Emanuel Bach (filho do compositor) para flauta e cravo, e também as suites de Pierre Phillidor e as sonatas de Kleinknecht.

A dupla holandesa se apresenta regularmente nas principais cidades da Europa e dos Estados Unidos, principalmente em igrejas, especialmente barrrocas, onde a acústica é ideal. A apresentação no Rio faz parte do festival Musica Brasilis, uma extensa série de concertos em igrejas restauradas pelo BNDES, que começou dia 14 de novembro. Para a curadora da série, Rosana Lanzelotte, o casamento do local com a música é perfeito:

A música barroca é melhor ambientada numa construção contemporânea a ela, e não só por uma questão de clima. A acústica dessas igrejas é ótima explica.

Jacques Ogg concorda com um português impecável, aliás:

Sempre tocamos em igrejas na Europa, todas têm uma bela acústica. Já toquei no Outeiro da Glória em 1994 e adorei o lugar, que além de tudo é lindo. A combinação da arquitetura com a música ali é perfeita elogia o cravista.

No programa, Ogg e Hazelzet apresentam uma sonata inédita de Hendrik Focking, compositor que viveu na Holanda, e temas emblemáticos do repertório para flauta e cravo, como a Sonata em si menor, de J.S. Bach, que o cravista considera um gênio:

Bach é o melhor. Ele usa a linguagem musical da época e consegue estimular as emoções mais profundas no público derrete-se Ogg.

Contato com o Brasil

Como professores do Conservatório Real de Haia, centro de referência de música antiga, os dois formaram algumas gerações interpretes, muitos deles brasileiros, como a própria Rosana. Foi por causa desse contato que ele começou a aprender português. Daí a fala fluente, com direito à adaptação ao sotaque brasileiro ou de Portugal de acordo com o país em que estiver.

Os concertos desse mês no Música Brasilis têm o tema De Bach às bachianas em homenagem aos 50 anos de morte de Heitor Villa-Lobos. A dupla, entretando, não tocará nada do compositor, embora Ogg o considere o melhor músico brasileiro e tenha se mostrado interessado na possibilidade:

É uma pena que suas composições não fiquem tão bem no cravo. Tenho certeza de que se tocasse violoncelo, uma delas seria logo a primeira do programa. diz ele, que acredita numa brasilidade instrínseca em sua música, apesar de considerá-la harmonicamente universal A música de Villa-Lobos é muito especial, posso sentir o calor do Brasil quando ouço. A harmonia é a mesma de outras clássicas, mas a combinação que ele faz é única.