Dianne Reeves de novo e para todos

Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Um show ao ar livre para desmitificar a aura elitista que envolve o jazz. Diante de um público cada vez mais variado e jovem Dianne Reeves se apresenta em São Paulo no dia 29, no evento gratuito Telefônica Open Jazz, que acontece no Parque da Independência e traz também o guitarrista de blues Buddy Guy.

As pessoas pensam que o jazz é um tipo de clube só para membros , mas não é diz a cantora americana de 53 anos A música está sempre envolvendo as pessoas, as interpretações... E as bases são as mesmas, na música brasileira também conseguimos ver a improvisação, as harmonias que são fabulosas, é por isso que a amamos.

Quatro prêmios Grammy

Nos últimos anos, o público dos shows de Dianne vem escapando do que se poderia esperar dos espectadores de uma diva do jazz. A culpa talvez seja de George Clooney, que fez questão de incluir a cantora em Boa noite e boa sorte, filme em que o ator também assumiu a direção. Dianne aparece cantando no longa, e a trilha sonora lhe rendeu um Grammy de Melhor Performance Vocal de Jazz. Foi seu quarto prêmio na categoria; ela havia ganhado em 2001 (por In the moment), 2002 (The calling) e 2003 (A little moonlight) é a única artista a ganhar três vezes consecutivas nessa categoria.

Com certeza o filme mudou um pouco meu público, levando pessoas mais jovens que não conheciam minha música. Foi grandioso ter ganhado esses Grammys. Muita gente ficou me conhecendo, os shows ficaram mais cheios.

Em seu último disco, When you know, de 2008, Dianne investe menos no lado compositora apenas a última canção, Today will b e a good day, é de sua autoria. Mas ela costuma dizer que é, antes de tudo, uma cantora. Mais que compor, quer encontrar canções que se relacionem com a sua vida.

Quando eu seleciono as músicas que vou cantar, elas são sempre sobre algo que realmente entendo. Sempre escolho músicas que falem de algo que entendo, não importa se são minhas ou de outras pessoas resume a jazzista.

Além de Ella e Sarah

Dianne Reeves já foi comparada a jazzistas do passado como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan (sua influência mais direta), mas conta que é no palco que seu estilo pessoal realmente floresce.

Nos discos a emoção está lá, mas ao vivo há muitas variáveis: tem o público, e todo tipo de coisa pode acontecer no palco. São essas coisas que colorem cada performance para mim, essas possibilidades.

E as variáveis não serão poucas no show gratuito e a céu aberto que a cantora, que já tocou com Sérgio Mendes e Romero Lubambo, fará em terras brasileiras.

Esta será a minha segunda vez no Brasil em um ano, é bem mais do que eu poderia imaginar alegra-se. A cantora se apresentou no Brasil em junho.