Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Uma das marcas mais influentes das últimas décadas do século 20 volta a vestir adeptos de um estilo de vida irreverente e jovial. Depois do sucesso da época em que era licenciada em nome de Gloria Kalil, nos anos 70, a Fiorucci, grife de origem italiana, volta a circular no Brasil, graças à compra da franquia por um grupo poderoso do Espírito Santo. Um desfile cheio de minissaias, macaquinhos, shorts e jeans justos, durante o evento Vitória Moda Show, marcou a estreia da produção brasileira. O responsável pela volta é Edvaldo Vieira, integrante de uma família com tradição na indústria têxtil capixaba o irmão, Paulo Vieira é proprietário das marcas MissBela e Vide Bula. Edvaldo tem a marca Lei Básica, um estilo que interpreta o jeans de uma forma requintada e já contou com a participação do mineiro Ronaldo Fraga como estilista. E o terceiro irmão, Wallace, é proprietário da Wattz, em São Paulo.
A Fiorucci com o DNA capixaba inclui roupas; óculos e sapatos são franquias de outras empresas, e o nome em geral é representado no Brasil pela Supermarcas.
A coleção vem pronta da Itália, mas fazemos adaptações, que são aprovadas pela matriz contou Edvaldo, logo após o desfile.
Na boca-de-cena, uma moto com anjinhos adesivados na lataria; na coleção que já começa com 320 peças, muitas calças cinco-bolsos coloridas ou floridas, camisaria listrada, lurex prata na trama de xadrezes, quase todos tecidos nacionais. Um estilo com o toque pin-up, com referências em imagens dos anos 50, mostrado no desfile com as sobreposições que agradam ao consumo de moda atual. A equipe de criação liderada por Andréa Aquino, ex-designer da grife mineira DTA, fica sediada em Belo Horizonte, separada do grupo que assina a Lei Básica.
Esta é uma moda jovem adulta, mais refinada, um básico requintado. É preciso ter equipes separadas e independentes, mesmo que o jeans seja uma plataforma comum às duas linhas. Os pilares de sustentação da Lei Básica são bem diferentes da Fiorucci, que é radicalmente jovem comentou o empresário, que sempre acreditou na marca itaIiana, nascida em 1967 em Milão e consagrada pelo colorido das roupas que seguiam de perto a trilha da moda inglesa, na fase da Swingin London. No Brasil, a grande butique na Praça Nossa Senhora da Paz era cenário de festas e lançamentos, e abriu espaço para as primeiras coleções de couro da dupla Frankie e Amaury.
Ainda não há lojas previstas nesta nova fase. É o momento de vender para multimarcas por todo país, talvez superar as fronteiras brasileiras, já que a licença fornece autorização para abranger outros países da América Latina.
Primeiro vamos amadurecer e solidificar a Fiorucci, com o apoio da publicidade feita com imagens internacionais. Aos poucos, vamos impor novamente a imagem dos anjinhos, que por enquanto aparecem só nas campanhas na web. Depois vamos para outros voos, porque a gente não sossega mesmo arrematou Edvaldo, empresário calmo e aparentemente seguro do sucesso do empreendimento.
Tão seguro que antes de correr para a champanhe no camarim, adiantou mais um projeto:
Para mim, em 10 anos o caminho vai se inverter e o Brasil é que vai ditar moda para o mundo. E acredito muito em exportar para a Itália peças da produção brasileira da Fiorucci.