Macksen Luiz, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Como reagiu ao ver teatro pela primeira vez?
Estranhei aquelas pessoas falando alto, fingindo ser quem não eram.
O que o levou à carreira?
Não saberia dizer, mas talvez a possibilidade de perscrutar o espírito humano, ser muitos, viver várias geografias, várias paisagens humanas, passar por elas, trabalhá-las e refleti-las. Observar silencioso. É um ofício que junta muitos outros. Tem um quê de ginasta, de músico, de pintor, de médico e tudo o mais o que se queira.
O que o mantém nela?
A necessidade, o desespero, o gosto pelos desafios. Há 40 anos abandonou a tranquila terra para guerrear nos horrores desses abismos .
O pior espetáculo?
Não lembro.
Diretor?
Aderbal Freire-Filho.
Ator?
Orã Figueiredo.
Atriz?
Silvia Buarque.
A melhor plateia?
A perspicaz, a curiosa.
A pior?
A mal informada.
Espetáculo inesquecível?
A despedida de O que diz Moleiro, no Recife, em 2004.
O que é transitório e permanente no palco?
O próprio fazer teatral, que se renova a cada noite. Transitório... Permanente é a fibra, a musculatura e a coragem de quem ali se entrega.
Qual o verdadeiro jogo do teatro?
Em jargão popular, o toma lá, dá cá com a plateia, o pingue-pongue, o futebol, a capoeira, esconde-esconde, o jogo de mímica, o jogo bom, bem jogado, tênis, basquete, golfe.
Como o teatro se faz possível na atualidade?
Milagrosamente, religiosamente, necessariamente, ritualisticamente.