Manuela Andreoni, Jornal do Brasil
RIO - A jovem Camila, interpretada por Manuela do Monte no longa Manhã transfigurada, com estreia prevista para esta sexta, é controversa. O filme se passa no século 18, quando a sociedade era regida pelo poder dos proprietários de terra e pela moral da Igreja. A personagem de Manuela desafia os dois. Forçada a se casar com Miguel, um rico fazendeiro, para recuperar a posição social de sua família, a moça se apaixona por um padre. A história se desenvolve em torno do triângulo amoroso e dos conflitos por ele causados.
É o último longa do diretor Sérgio de Assis Brasil, morto em 2007. Para representar a família, fica seu primo, o escritor Luiz Antônio de Assis Brasil, autor do livro que inspirou o filme:
Na narrativa, houve licenças e liberdades que acho necessárias e que criaram ligações dentro da trama conta o escritor, que se mostrou muito satisfeito com o resultado da adaptação de sua obra.
A personagem vivida por Manuela do Monte é ousada:
Ela é uma mulher que se permitiu viver outras histórias, que não as impostas a ela, é forte e corajosa.
O filme marca a primeira participação no cinema de Manuela, de 24 anos, natural de Santa Maria (RS), que foi usada como locação.
Já existia um movimento cinematográfico em Santa Maria, mas foi o primeiro longa rodado aqui conta Manuela.
Filmado durante o ano de 2002, Manhã transfigurada revolucionou a rotina da cidade. Manuela, que foi encontrada no curso de teatro que frequentava, conta que todos queriam participar e que o apoio da comunidade foi forte.
Eles ajudaram até com peças do cenário lembra a atriz.
A partir da atuação no filme, a carreira de Manuela deslanchou, mesmo sem o longa chegar às salas de exibição. Jayme Monjardim, diretor da minissérie A casa das sete mulheres, fazia pesquisa de campo no Rio Grande do Sul e se deparou com uma foto de Manuela interpretando Camila num jornal local.
Tenho o jornal até hoje, o próprio Monjardim me deu. Está escrito com a letra dele: Procurar esta menina .
Depois de pôr a produção à caça da moça e não encontrá-la, o diretor desistiu. Quando viu os testes de elenco de meninas do Sul, Monjardim novamente encontrou o rosto da atriz. Sem perceber que se tratava da mesma pessoa, pediu que fizesse um segundo teste. Somente quando reparou no nome Manuela do Monte é que percebeu de que já havia reparado nela anteriormente. Então, Manuela ganhou destaque na minissérie e seguiu carreira na emissora, onde participou de Malhação, Começar de novo, Páginas da vida e JK, na qual interpretou a primeira namorada do futuro presidente Juscelino Kubitschek, Amália. Atualmente, ela é Tonha, em Paraíso.