Franz Valla*, Jornal do Brasil
NOVA YORK - Bruno Barreto e Matheus Souza lançam filmes em mostra de NY, mas quem brilha é Calcanhotto
Sob um calor de mais de 40 graus e ameaças de chuva, o jardim das esculturas do MoMa serviu de palco para Adriana Calcanhotto abrir com show intimista, quinta-feira à tarde, a sétima edição da Première Brazil, mostra de cinema brasileiro do museu.
Ela cantou novos e velhos sucessos acompanhada apenas do violão e do coro da plateia. O jardim das esculturas, um espaço de lazer ao ar livre, foi pequeno para abrigar as quase 500 pessoas que vieram assistir ao show e à abertura da mostra. O tom intimista do espetáculo foi dado pela multidão de fãs que cercavam a cantora em torno do palco improvisado. Alguns problemas técnicos atrapalharam a apresentação, e por duas vezes ela improvisou sem acompanhamento do instrumento. Ajudada pelo coro, desculpou-se: Me perdoem. Esse não é o meu instrumento .
Bem à frente ao palco, assistiam ao pocket show o embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, o cônsul geral do Brasil em Nova York, Osmar Chofi, e o ator Cauã Reymond, que veio a convite do festival. Adriana encerrou sua apresentação com a sua versão de Ela é carioca (Tom e Vinicius). O show faz parte de uma série de apresentações de músicos brasileiros no jardim das esculturas, sempre às quintas-feiras, durante o verão americano. A organização das apresentações teve a colaboração de Beco Drannoff, produtor musical e codiretor do documentário Beyond Ipanema: brazilian waves in global music, cuja estreia mundial acontece na mostra. Logo após o fim do show, foram abertas as portas do Roy and Niuta Theater para a apresentação de Última parada 174 de Bruno Barreto, que teve lotação esgotada. Ao apresentar o longa, Jytte Jensen, curadora do MoMA, lembrou que o festival tem crescido ao longo dos anos e que dessa vez traz a maior delegação de diretores e artistas brasileiros de sua história. Em seguida, foi a vez de Bruno Barreto falar, agradecendo a recepção calorosa ao filme.
Em poucas sessões tivemos um resultado tão positivo. Por isso vamos antecipar a distribuição do filme no mercado americano de novembro para setembro adiantou o diretor.
De volta ao Brasil há três anos, depois de uma longa temporada vivendo nos EUA, Barreto acredita ter rodado seu longa com vigor redobrado por estar de novo em sua terra natal.
Senti o mesmo entusiasmo de quando fiz meu primeiro filme ressaltou. Estou fazendo filmes há tantos anos que chega uma hora em que você se sente preso a um padrão. Agora me dei a liberdade de ser mais visceral e me libertar das pressões de fazer uma obra mais convencional.
Apenas o fim, filme realizado com um orçamento de R$ 8 mil e que recebeu o prêmio de Melhor Filme pela votação do público no Festival do Rio do ano passado, também está na mostra. Para o diretor Matheus Souza, o filme terá uma longa carreira em festivais:
Pensei que chegar ao MoMa seria o máximo que poderia acontecer ao filme, mas recebemos convites para ir a vários outros festivais até o fim do ano comenta Souza.
A grande espera até agora é pela estreia de Beyond Ipanema: brazilian waves in globl music. Sandro Florin, proprietário da Figa Films, distribuidora do documentário, pretende desdobrar o longa em outros produtos.
Este é o melhor projeto de nossa produtora desde que abrimos, há três anos. Imaginamos uma franquia aos moldes de Buena Vista Social Club planeja Florin. Estamos negociando uma série de TV, um disco com as músicas da trilha sonora e, claro, temos ainda material que não entrou neste longa e que daria para fazer pelo menos mais dois ou três filmes.
*Especial de Nova York, para o Jornal do Brasil